A presidente Dilma Rousseff aproveitou a reunião com os sindicalistas para dar um recado duro aos especuladores e mostrar sua disposição de impedir que o real seja sobrevalorizado. “Quem apostar na desvalorização cambial vai perder dinheiro porque, se precisar, eu edito uma medida provisória por semana para garantir que não tenha desvalorização (do dólar)”, disse a presidente, conforme relato do presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva.
Na conversa, que durou mais de duas horas, a presidente Dilma reconheceu que existe desindustrialização no país e avisou que tomará medidas “a toda hora, se preciso” para proteger o setor, segundo informou o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique. Ressalvou, no entanto, que não poderia adiantá-las porque muitas são “sensíveis”. “Vamos suplementar a política industrial para não permitir a desindustrialização”, declarou Dilma, que prometeu chamar os empresários para uma reunião no Palácio do Planalto, a fim de cobrar deles investimentos no país.
Um dos presentes ao encontro com as centrais sindicais, realizado ontem, relatou que a presidente Dilma, ao ouvir crítica dos sindicalistas em relação ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que reclamavam que há uma divisão no governo entre desenvolvimentistas e defensores da especulação financeira, ela desabafou: “estou perplexa com este negativismo de vocês. Meu governo não é anti-industrial”. Em seguida, um dos presentes retrucou citando medidas que estariam sendo adotadas na Argentina em benefício do setor. Dilma então, reagiu: “Vocês falam da Argentina, mas a Argentina está com 20% de inflação, meus amigos”. Passou, então, a defender Mantega, citando os problemas da crise internacional.
“Vou resumir aqui para vocês. Nosso problema é juros, câmbio e inflação”, argumentou a presidente, que fez um discurso em tom exaltado, mas firme, defendendo as políticas do governo que asseguram o que chamou de crescimento sustentável. “Vocês estão pensando o quê? O Brasil vai crescer mais do que o resto do mundo. E não é no segundo semestre não. É agora”, desabafou ela. Ao comentar a visita que fez à Alemanha, a presidente comentou que “ficam dizendo que o Brasil é um país protecionista, mas protecionismo vergonhoso é a desvalorização cambial”. (Agência Estado)
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