A presidente Dilma Rousseff chega aos Estados Unidos no próximo dia 9 para uma visita oficial ao presidente Barack Obama. Mais do que a agenda do encontro, a questão que tem causado celeuma é o fato de que Dilma não será recebida como chefe de Estado pelo norte-americano. Isso quer dizer que a presidente não vai ser acolhida no jardim da Casa Branca com a presença das tropas, nem vai ter um jantar de gala com Obama, honras dedicadas aos líderes da Índia, da China e da Coreia do Sul em visitas recentes aos Estados Unidos.
A falta de pompa pode parecer uma mensagem de que o Brasil não tem tanta importância na política externa dos Estados Unidos. E talvez seja mesmo difícil comparar a relevância brasileira diante do poderio econômico da China e dos papéis estratégicos da Índia e da Coreia do Sul, mas isso nem sempre deve ser interpretado como tal, segundo os embaixadores Rubens Ricupero e Sérgio Amaral.
SÓ O SARNEY
Ricupero lembra-se de que, em toda sua carreira, viu apenas um brasileiro receber o tratamento de chefe de Estado: o então presidente José Sarney. De acordo com o embaixador, é comum que haja uma visita mais formal para cada seis ou sete encontros entre os presidentes.
Para Sérgio Amaral, a discussão em torno do tratamento reflete uma espécie de complexo de “latin lover”, que sempre reclama de abandono e falta de atenção. Como exemplo de que nem sempre pompa se traduz em importância, ele cita a discreta visita do premiê israelense Benjamin Netanyahu à Casa Branca, no início do mês passado.
Abraham Lowenthal, um dos principais estudiosos das relações entre os Estados Unidos e os países da América Latina, afirmou que só ouviu falar sobre a diferença de tratamento no Brasil, e não saberia comentar a diferença entre as visitas. Para o pesquisador, mais importante é notar que há vários interesses comuns e poucas discordâncias entre Brasil e Estados Unidos. (AE)
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