A primeira reunião da Comissão da Verdade da Câmara foi cercada de polêmica e sigilo. Realizada a portas fechadas, sem acesso dos meios de comunicação, a reunião marcou o depoimento de três testemunhas. E registrou os gritos e os protestos do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), capitão da reserva do Exército, contrário à Comissão: “Tendenciosos. Vocês estão fazendo é a Comissão da Mentira”, disse o parlamentar, que quase trocou tapas com o colega Arnaldo Jordy (PPS-PA).
A Comissão da Verdade da Câmara é ligada à Comissão dos Direitos Humanos e se propõe a ser no Legislativo a linha auxiliar da Comissão da Verdade do Executivo Federal, que ainda não foi escolhida pela presidente Dilma Rousseff, apesar de a sanção da lei que a criou ter ocorrido em novembro. Como Dilma está demorando a escolher os sete integrantes da Comissão da Verdade, a Câmara instalou a dela.
Logo depois de instalada, a comissão ouviu os ex-militares Raimundo Melo e José Antonio Perez e o camponês Lauro dos Santos, que quando criança manipulou uma granada do Exército, em Xambioá (hoje Tocantins). O artefato explodiu e ele perdeu parte de um braço. Um irmão morreu na explosão.
Bolsonaro acusou os integrantes da comissão de estarem preparando a manipulação de dados das testemunhas. Para ele, sem acesso público dos meios de comunicação aos depoimentos, tudo o que foi falado poderá ser alterado. Para Jordy, o depoimento secreto foi necessário porque a comissão precisava saber com antecedência o que os convidados iriam dizer. Segundo ele, o conteúdo dos depoimentos será liberado no futuro.
GUERRILHA
Segundo parlamentares que ouviram os depoimentos, um dos ex-sargentos - José Antonio Perez - disse que o Exército não estava preparado para combater uma guerrilha. Já o camponês Lauro dos Santos contou que era criança quando pegou a granada que explodiu. Ele não sabe se ela estava perdida ou se caiu do armamento de algum soldado. Num ponto tanto os integrantes da Comissão da Verdade quanto Bolsonaro concordaram: os ex-sargentos e o camponês merecem uma reparação do Estado, que nunca foi dada. (AE)
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