Líderes dos partidos governistas e de oposição começaram, ontem, a coleta de assinaturas no Senado e na Câmara para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista destinada a apurar as ligações políticas do empresário de jogos de azar Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cacheira. Como todos os partidos têm parlamentares citados pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, cada um acha que poderá implicar o outro na CPI e com isso colher dividendos nas eleições municipais deste ano e na presidencial de 2014.
Em entrevista, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), disse que “todos os políticos importantes de Goiás tiveram algum tipo de relação ou de encontro com Cachoeira”. Mas o PSDB de Marconi investe na CPI apostando que as ligações do empresário vão além dos limites de Goiás. E pode bater à porta do Palácio do Planalto.
“Quem chegou a colocar um pé nos Estados Unidos certamente colocou os dois em Brasília”, disse o líder tucano no Senado, Álvaro Dias (PR), ao lembrar que os vazamentos só mostraram personalidades do Congresso. “Faltam as do Executivo”. Álvaro Dias entende que seria ingenuidade política supor que a ambição de Cachoeira não chegue a Brasília e ao governo federal. Ele disse que só a Delta Construções S.A recebeu R$ 4,13 bilhões do governo federal entre 2007 e 2012. “Isso, só num CNPJ”, afirmou o senador tucano, referindo-se à empresa que, segundo as investigações da PF, teria ligações com Cachoeira em Goiás.
Indiferente ao objetivo maior do PSDB, que é usar a CPI para chegar ao Planalto, o líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA), disse que a intenção de seu partido é estender a investigação para além do envolvimento do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) com Cachoeira. “Centralizar a apuração em uma só pessoa não é questão de injustiça, mas de falta de justiça”, afirmou. O petista já se articulou com o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), e contará com a ajuda de peemedebistas como Vital do Rego (PB) para a coleta das assinaturas.
Já o líder do DEM na Câmara, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), avalia que ao se livrar de Demóstenes, seu partido ficou à vontade para entrar para valer nas investigações de uma CPI. “Dois dos nossos principais nomes em Goiás e no Brasil são o deputado Ronaldo Caiado e o vice-governador José Eliton. Eles nos garantiram que nunca tiveram nada com Cachoeira”. (AE)
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