A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira, que deverá ser instalada na semana que vem, vai exigir do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), explicações sobre a suposta cobrança de fatura por parte da Delta Construções por supostas doações eleitorais. “O governador de Brasília terá de explicar isso na CPI”, disse o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), um dos dois titulares dos tucanos da Câmara na Comissão Parlamentar.
De acordo com as gravações feitas pela Polícia Federal para a Operação Monte Carlo, que desmontou o esquema feito pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, a empresa negociava facilidades diretamente com a cúpula do governo de Brasília.
Nas conversas gravadas na Operação Monte Carlo, reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo, aliados de Carlinhos Cachoeira, segundo a PF, dizem que a diretoria da empresa no Rio exigia agora, em contratos, a contrapartida pelas doações. E fazia pressão no Palácio do Buriti por nomeações e liberação de verbas. Ao todo, a Delta consta como doadora de R$ 2,3 milhões a comitês partidários no País. A prestação de contas de Agnelo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não registra doação da empresa, em indício de caixa 2, segundo investigadores. Do total, R$ 1,1 milhão foi destinado ao Comitê Nacional do PT e o restante ao PMDB.
De acordo com a Polícia Federal, assim que Agnelo foi eleito, a Delta tentou emplacar aliados em cargos-chave de administrações regionais e do Serviço de Limpeza Urbana (SLU) de Brasília, o que facilitaria seus negócios. Além disso, tentava receber débitos do GDF por serviços supostamente prestados.
RECONHECEU
Chamado de 01 pelos integrantes do esquema de Carlos Cachoeira, o governador Agnelo Queiroz reconheceu que já se encontrou pessoalmente com o contraventor. Na quarta à tarde, após o jornal “O Estado de S. Paulo” revelar que Agnelo, segundo a Polícia Federal, pedira um encontro com Cachoeira, o governador disse que nunca estivera com o empresário de caça-níqueis. Ontem, voltou atrás.
O encontro, segundo relato do porta-voz do governador, Ugo Braga, ocorreu “entre 2009 e 2010, ele não se lembra bem”, numa reunião com empresários da indústria farmacêutica, em Anápolis (GO). Na ocasião, Queiroz era diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e esse tipo de reunião, explicou, “fazia parte das rotinas do cargo”. A Polícia Federal levantou indícios de que Cachoeira fez doação de caixa dois para a eleição do governador e depois passou a cobrar contrapartidas em contratos para empresas ligadas à quadrilha.
“O governador foi apresentado a Cachoeira em 2009 ou 2010. Ele não lembra com exatidão porque foi durante uma visita que ele fez a uma empresa farmacêutica em Anápolis. Lá estavam vários empresários desse ramo”, relatou o assessor. A cidade, há 30 quilômetros de Goiânia, é o maior polo farmacêutico da região. Lá funciona o laboratório Vitapan, que pertenceu a Cachoeira e hoje está registrado em nome da ex-mulher dele.
Em telefonema gravado pela PF em 16 de junho de 2011, com autorização judicial, o sargento Idalberto Matias, o Dadá, um dos principais operadores da organização, avisa a Cachoeira que foi procurado por João Carlos Feitosa Zunga, ex-subsecretário de Esportes e funcionário do governo do DF. Zunga foi demitido hoje por Queiroz. O governador já havia demitido o chefe de Gabinete, Cláudio Monteiro e outro assessor, também suspeitos de envolvimento com a quadrilha do bicheiro.
Ontem, Queiroz passou o dia dando satisfações à base aliada. Ao final, arrancou um manifesto de apoio assinado por 19 dos 24 deputados distritais, filiados a 12 partidos. (AE)
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