Com a assinatura dos 13 senadores do PT, o Senado já dispõe de apoio suficiente para criar a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) encarregada de apurar o envolvimento do contraventor Carlinhos Cachoeira com políticos e agentes públicos. O líder do PT, senador Walter Pinheiro (PT-BA), encaminhou nesta terça a relação com as assinaturas de 28 senadores, uma a mais do que o necessário para formalizar a criação da comissão.
Pinheiro aponta o apoio integral da bancada petista como sendo uma prova de que o governo não pretende brecar a investigação. "Nunca houve essa história de recuo", afirmou, rebatendo a informação de que o Planalto, ao pesar prós e contras, teria desistido da investigação, estimulada sobretudo pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os líderes do PMDB, Renan Calheiros (AL), e do PSDB, Álvaro Dias (PR), também estão coletando assinaturas. A expectativa é a de obter o apoio da quase totalidade dos 81 senadores. Renan também negou a existência de pressão da parte do governo para inviabilizar a investigação. "Não fomos procurados por ninguém, não existe essa ou aquela direção", garantiu. O líder não sabe ainda quem serão os cinco representantes do partido na CPMI. Ele tampouco confirma a informação de que será um dos integrantes da comissão.
Para a criação da comissão mista, são necessárias também 171 assinaturas da Câmara.
Ato da oposição marca coleta de assinaturas para CPI
Lideranças do PSDB, DEM e PPS fizeram nesta terça um ato simbólico para marcar o início do recolhimento de assinaturas para a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira. A oposição está preocupada com manobras governistas para atrasar instalação da CPI.
São necessárias 171 assinaturas de deputados e 27 de senadores para a criação da CPI. No Senado, no entanto, 28 senadores já assinaram o requerimento. Ainda não há levantamento preliminar na Câmara com o número de deputados que assinaram o requerimento para a criação da CPI do Cachoeira.
"Pela segunda vez um dos nossos é defenestrado do partido", disse o presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia (RN), referindo-se ao senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) flagrado pela Operação Monte Carlo em conversas telefônicas com o contraventor Carlinhos Cachoeira. As lideranças dos três partidos de oposição garantiram que suas bancadas de deputados e senadores vão assinar em peso o pedido de CPI.
"Essa CPI não vai ser fácil. Setores do governo não querem a instalação dessa CPI", observou o presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (SP). "O governo está agora com uma postura claudicante em relação à CPI. Temos de evitar que a CPI termine em pizza", emendou o líder do DEM na Câmara, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (BA).
(Agência Estado)
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