O 1º de maio foi comemorado pelos manauenses com muito trabalho. Moradores de mais de seis bairros estão lutando contra a cheia e, ontem, passaram o dia erguendo pontes e marombas para se protegerem da água suja e mal cheirosa do rio Negro, que invadiu dezenas de palafitas. Na quinta-feira, 26, o prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, decretou situação de emergência. Mais de 20 mil famílias, apesar de conviverem a anos com o fenômeno, estão sendo afetadas pela cheia.
No bairro da Aparecida, o feriado foi útil para que a comunidade pudesse erguer pontes já que, em algumas casas, só se chega de canoa. Este é o caso do pescador Sebastião Pereira Evangelista, 55, que mora no bairro há 25 anos. Sua casa, assim como as vias de acesso para ela, “está no fundo” (como se costuma dizer em Manaus). “Há uma semana estou vivendo com água dentro de casa e ainda estamos em maio, ou seja, deve permanecer assim até junho. Estou tentando proteger minhas coisas suspendendo tudo com cordas”.
Geladeira, sofá, máquina de lavar, cama e demais pertences de Sebastião estão suspensos, quase que na altura do teto. Para andar dentro de sua própria casa ele fez uma ponte, que o impede de pisar toda hora na água suja do rio. Porém, como não pode abandonar as coisas suspensas em casa e viajar para pescar, está sobrevivendo de fazer marombas (pontes suspensas sobre a água) em palafitas e o contato com a água da cheia é inevitável. Sebastião ganha de R$ 20 a R$ 30 por cada maromba, não reclama do valor que ganha ou de alergias na pele, mas de dor nas costas, fruto do esforço dos últimos dias.
Na casa de Jonata Castro, 22, que mora no São Raimundo, a situação é a mesma. Não se pode mais fazer comida, pois o fogão está suspenso, bem como os armários. O jovem mora com os pais e dois irmãos que têm 5 e 10 anos.
COMÉRCIO
No Centro de Manaus, nas ruas Baré e São Domingos, a situação também é difícil. Há cerca de um mês, temendo a cheia, o comerciante Jorge Luís Amado Batista, gastou R$ 3,5 mil na construção de um “sótão” para empilhar mercadorias de sua loja de pesca. Em 2009, na cheia histórica, perderam cerca de R$ 100 mil em mercadorias.
“Gastei nos últimos dias mais R$ 1,5 mil com paletes, pois abaixo do sótão está tudo alagado e não vamos ficar pisando na água suja”, explicou.
Na Casa Uyrapuru faltam menos de cinco centímetros para que o rio atinja o assoalho da loja de tintas. “Na última semana o nível do rio subiu mais de meio metro. E, para proteger as mercadorias, estamos colocando as prateleiras, antes espalhas pela loja, na parede acima da marca da cheia histórica de 2009”, detalhou. Em último caso, como a loja tem duas entradas, irão fechar o acesso pela rua São Domingos. A expectativa é de queda até 50% nas vendas.
A cota do rio Negro, ontem, era de 29,24 metros. No recorde histórico, registrado em 2009, o cota foi de 29,77 metros. (Agência Estado)
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