Cinco meses após a demissão de Carlos Lupi da Esplanada dos Ministérios, a presidente Dilma Rousseff deu posse quinta-feira (03) ao novo ministro do Trabalho, Brizola Neto, em uma cerimônia em que foram evocados os nomes de Leonel Brizola e João Goulart. Neto assume uma pasta que foi alvo de uma série de escândalos já enfrentando resistência dentro do próprio partido - a bancada da Câmara preferia o nome do deputado Vieira da Cunha (RS).
Em um discurso mais breve que o costume (catorze minutos), Dilma agradeceu os serviços prestados pelo interino Paulo Roberto Pinto e até afagou Lupi, varrido da Esplanada dos Ministérios após a Comissão de Ética da Presidência da República recomendar a sua exoneração.
“Agradeço ainda a contribuição do ministro Carlos Roberto Lupi na condução do Ministério do Trabalho, e o seu inequívoco compromisso em defesa dos interesses dos trabalhadores. Lupi, muito obrigada”, disse Dilma, logo mudando o foco do discurso para a conjuntura econômica.
A presidente aproveitou a cerimônia para exaltar João Goulart e Leonel Brizola, respectivamente tio-avô e avô do novo ministro, o mais jovem da Esplanada - tem 33 anos. Neto tem apoio das centrais sindicais, principalmente da Força Sindical, presidida pelo deputado pedetista Paulo Pereira da Silva (SP).
“Em 1953, também jovem e determinado, Jango foi empossado ministro do Trabalho do governo democrático de Vargas. Foi Jango quem deu à pasta do Trabalho grande peso político e grande dimensão”, afirmou Dilma. “Nomear como ministro do Trabalho e Emprego Brizola Neto reforça, em meu governo, o reconhecimento da importância histórica do Trabalhismo na formação do nosso país.” Jango foi deposto pelos militares em 1964.
Para Dilma, o “Brasil tem memória” e respeita “seus símbolos e sabe honrar a sua história” “O Trabalhismo está na memória dos brasileiros porque está gravado numa longa trajetória de conquistas: a jornada de oito horas, o salário mínimo, o direito à organização sindical, a adoção de uma legislação de proteção ao trabalhador”.
Em entrevista concedida a jornalistas após a cerimônia, Neto admitiu que ainda há divergências internas no seu partido para a aceitação do seu nome.
“Ainda existem pequenas diferenças desse processo todo, que ainda precisam ser equacionadas. Mas a verdade é que o partido hoje, em sua grande maioria, quase totalidade, está convencido do seu papel, do seu posicionamento no campo político nacional. Isso é muito maior do que pequenas divergências”, afirmou. “O que tem que conduzir um partido não são preferências pessoais. O que conduz um partido é justamente os seus compromissos públicos, o seu programa partidário.”
Sobre a sucessão de denúncias envolvendo a pasta, Neto disse que nenhuma das denúncias atingiram Lupi e até agora nada foi provado. (Agência Estado)
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