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Feijão tem maior aumento acumulado

A sensação é de que a cada ida ao supermercado as placas indicam um valor diferente. E a referente ao feijão é uma das substituídas com mais frequência. “Existem produtos que você já pega no automático, sem nem olhar preço porque os aumentos são pequenos.

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A sensação é de que a cada ida ao supermercado as placas indicam um valor diferente. E a referente ao feijão é uma das substituídas com mais frequência. “Existem produtos que você já pega no automático, sem nem olhar preço porque os aumentos são pequenos. Mas no caso do feijão tem que analisar sempre se vale ou não a pena botar no carrinho”, explica a doméstica Leila Souto.

A afirmação de Leila foi ratificada ontem com a divulgação da pesquisa do Dieese. Segundo o estudo, o feijão aumentou 430% no Estado desde a instalação do Plano Real, em 1994.

Mas não é o aumento gradativo da última década que surpreende os consumidores, e sim o reajuste intenso nos últimos cinco meses. De dezembro de 2011 a abril de 2012 o produto aumentou quase R$ 3, passando de R$ 3,54, em média, para R$ 4,21 em janeiro; R$ 5,18 no mês de março até atingir R$ 5,85 em abril. Ou seja, em apenas um ano o preço do feijão subiu 121,59%, o que faz de Belém a recordista nacional no aumento acumulado.

As causas para o acúmulo seriam várias. “Falta uma ampla política para todo o Setor Agrícola do Estado que responda as questões voltadas para a produção e comercialização dos principais produtos básicos da mesa dos paraenses. Hoje, cerca de 60% dos produtos básicos são importados de outros Estados”, explica ao supervisor técnico da instituição, Roberto Senna.

A pesquisa mostra ainda que enquanto o feijão subiu 65,25% no Pará nos primeiros quatro meses do ano a inflação calculada para o mesmo período não ultrapassa 2%. O mesmo ocorre em relação aos últimos 12 meses, quando houve reajuste de 121,63% e a inflação fechou em 4,88%.

CESTA BÁSICA
Segundo o Dieese, a alimentação dos paraenses continua entre as mais caras do país, com a cesta básica em R$ 248,41, o equivalente a 43% do salário mínimo atual.

No mês passado o gasto total mensal com o feijão subiu para R$ 26,33 e o tempo de trabalho para adquirir o produto aumentou mais ainda chegando a 9 horas e 19 minutos. “A conclusão é de que é preciso trabalhar cada vez mais para comprar a mesma coisa”, conclui Senna.

E o cenário não muda para os próximos meses. A estimativa é de que a alta de preços nos produtos básicos permaneça, uma vez que nas primeiras semanas de maio o preço do quilo do feijão em alguns pontos de Belém já chegava aos R$ 6.

(Diário do Pará)

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