O juiz federal Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, concedeu liberdade para o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. No entanto, a Justiça do Distrito Federal negou um pedido para revogar uma segunda ordem de prisão do contraventor. Por isso, ele permanecerá preso.
Os advogados de Cachoeira conseguiram derrubar o decreto de prisão referente à Operação Monte Carlo, que investiga indícios de corrupção, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e exploração de jogos ilegais em Goiás e no Distrito Federal. No entanto, não conseguiram reverter a decisão relativa à operação Saint-Michel, que desbaratou um esquema que visava fraudar licitação da bilhetagem eletrônica no transporte público do DF.
A defesa de Cachoeira tentará, ainda no final de semana, reverter essa segunda decisão e com isso colocar o contraventor em liberdade. Os advogados de Cachoeira adiantaram que pedirão novamente sua libertação durante o plantão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.Tourinho Neto já havia dado decisões favoráveis a Cachoeira. Em uma delas, autorizou a transferência de Cachoeira do presídio federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, para Brasília, cujo esquema de segurança é menos rígido. Na terça-feira, o mesmo juiz votou por anular todos os grampos telefônicos da Operação Monte Carlo.
Nesta sexta, ele estendeu para Cachoeira os efeitos de uma liminar que foi concedida a outro denunciado no mesmo processo - José Olímpio de Queiroga Neto, conhecido por Careca.De acordo com o TRF, o relator afirmou não haver mais razões para manter Cachoeira preso, pois a organização que explorava os jogos de azar foi desbaratada.
Para Maia, encontro com Cavendish em Paris é normal
O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), declarou ter considerado inadequado o encontro de parlamentares integrantes da CPI do Cachoeira com o empresário Fernando Cavendish, dono da Delta Construções, num restaurante em Paris, em abril. Apesar de destacar que o colóquio aconteceu antes do início dos trabalhos da comissão, Maia afirmou que é preciso “analisar com profundidade” as circunstâncias em que ocorreram a reunião.“Não é adequado a nenhum integrante da CPI se encontrar com qualquer pessoa que tenha tido envolvimento ou que esteja sendo investigado pela comissão”, afirmou o presidente da Câmara. “Nós teremos que investigar. A CPI tem que investigar o contexto em que se deu este encontro para poder dizer se houve ou não a combinação de uma reunião com alguém que estava sendo investigado pela CPI. A investigação é que vai dar os contornos e vai dizer em qual contexto isso aconteceu.
“FORTUITO”
Para o deputado petista, no entanto, se os parlamentares conseguirem provar que o encontro com o dono da Delta foi “fortuito” não haverá problemas. Para ele, encontros casuais entre deputados e senadores com empreiteiros em restaurantes em Paris é algo “absolutamente normal”.“Hoje, eu vi as declarações de deputados que estavam presentes neste momento que dizem que foi um encontro fortuito, que não teve o caráter de uma reunião e nem de um encontro que tenha sido marcado com este objetivo. Se encontraram num restaurante em Paris, o que é absolutamente normal”, afirmou Maia.
O encontro de integrantes da CPI com Cavendish foi revelado pelo deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), em sessão realizada na quinta-feira, logo após a maioria dos integrantes da comissão votarem contra a convocação do dono da Delta. O pedetista chegou a dizer que havia uma “tropa de cheque” atuando em favor do empreiteiro na CPI.
(Agência Estado)
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