“Com o aproximar da eleição na Grécia, eu diria aos senhores que a luz no final do túnel não está acesa “ Foi com essa franqueza que a presidente Dilma Rousseff traçou um panorama da crise econômica internacional na reunião com governadores ou vice-governadores dos 27 Estados do País. Ela avaliou que a situação na Europa tende a agravar-se.“Estamos todos de olho naquilo que pode ser o pior: o período pós-eleitoral da Grécia”, disse Dilma. “Se me permite, presidenta, há, sim, luz no fim do túnel”, respondeu o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Todos os presentes pararam para ouvi-lo. “Só que é uma locomotiva vindo em sentido contrário.” Ele se referia aos impactos da crise sobre as chamadas economias emergentes.Em contraste, após reunir-se com governadores a presidente recebeu os atletas que participarão da Olimpíada de Londres.“Você vai ver se não vai merecer. Nós estamos no esquentamento”, disse ela, simulando um exercício com halteres, brincando com os esforços do governo para reaquecer a economia.Em sua explanação aos governadores, Dilma assegurou que o País está mais preparado para enfrentar a atual crise do que estava em 2009.
Na rodada anterior, o Brasil vinha de um período de baixo crescimento. Não é o caso agora. Além de a economia estar em melhores condições, o governo vem agindo para se proteger dos efeitos da turbulência internacional.Como vem fazendo nas últimas semanas, a presidente defendeu as medidas de estímulo ao consumo.
Segundo alguns analistas, essa via estaria esgotada, dado o alto nível de endividamento das famílias brasileiras. Dilma rebateu essa avaliação. “Temos uma demanda reprimida de consumo, não podemos cair nesse viés elitista de pensar em restrição do consumo, desde que saibamos equilibrar consumo com investimento.”Dilma também defendeu as medidas de proteção ao mercado nacional, como a taxação extra de 30% aos automóveis importados.
Segundo afirmou, não faria sentido permitir que outros países explorassem uma fatia de 30% do consumo do País.Para ela, as avaliações de que os investimentos em sondas da Petrobras estariam atrasados por causa da elevada exigência de conteúdo nacional são “complexo de vira-lata”.
(Agência Estado)
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