A presidente Dilma Rousseff afirmou terça-feira (19) que a Europa será obrigada a tomar decisões mais rápidas para enfrentar suas crises financeira e da dívida soberana e para retomar o crescimento econômico por pressões “inexoráveis” do mercado, de setores políticos e de sua própria sociedade. Um compromisso expresso com essa linha de ação, entretanto, não foi extraído dos europeus na sétima reunião de cúpula do G-20. Esse era o principal objetivo desse encontro, encerrado ontem no México.
Dilma recorreu ao personagem Sobrenatural de Almeida, criado pelo dramaturgo e jornalista Nelson Rodrigues para explicar os gols impossíveis contra o Fluminense, para descrever sua expectativa de que os europeus tomem, de forma urgente, as medidas mais urgentes para evitar o colapso da economia mundial. A mensagem do G-20 em San José de los Cabos, para ela, não cairá no vazio.
“Existe um personagem, e ele é internacional, que se chama Inexorável da Silveira. As coisas não são do jeito que nós escolhemos. Se (os europeus) vão esperar ou não tomar as medidas é uma combinação de decisões políticas com reações de mercado e da pressão popular” afirmou.
Segundo Dilma, é preciso chamar as situações, por mais difícil que seja, por seu nome real. No caso atual, o “nome” é inexistência de um Estado multinacional como sustentáculo de uma moeda regional, o euro. Essa omissão não permite ao Banco Central Europeu (ECB) ser um emprestador de última instância para os países e suas instituições. Em sintonia com as avaliações do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial e dos EUA, o governo brasileiro acredita ser necessário para a Europa aprofundar sua integração, por meio da construção da unificação fiscal - portanto, também das dívidas soberanas nacionais - e bancária.
Mas, neste momento, não há outra saída senão entender a complexa posição dos europeus e suas limitações. O papel do G-20 não é o de “pontificar” as ações para a zona do euro nem de apresentar “fórmulas mágicas” a países soberanos, insistiu. Questionada se havia entrado em uma fase “paz e amor”, ela reagiu.
“Adianta alguma coisa não entender? Sabe o que significa entender? Não é fácil resolver a crise de uma moeda que não tem Estado multinacional por trás”, afirmou. “Eu estou pagando o preço de tudo isso e protesto veementemente. Não é que eu seja paz e amor, mas eu também não acho que a minha atitude pode ser a de fazer receitas fáceis para os outros cumprirem.”
Dilma insistiu na necessidade urgente de reduzir as exigências de ajuste nas contas públicas aos países europeus mais endividados para permitir crescimento econômico em curto prazo na região.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar