O vazamento de informações da Operação Monte Carlo será investigado pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região e pela Polícia Federal. A suspeita de envolvimento do juiz federal Leão Aparecido Alves e as ameaças feitas aos juiz que estava no caso, Paulo Moreira Lima, levaram a corregedora nacional de Justiça a convocar uma reunião com os dois magistrados e o ex-corregedor do TRF1 Cândido Ribeiro.
Além das ameaças que sofria por comandar o processo contra o contraventor Carlinhos Cachoeira, o juiz federal Paulo Moreira Lima reclamava da suspeita levantada pelos colegas de que as provas obtidas nas investigações seriam ilegais, de pressão interna e do vazamento de informações da Operação Monte Carlo antes que fosse deflagrada.
As suspeitas pelo vazamento pesam sobre a mulher do juiz Leão Aparecido Alves e sobre uma servidora da confiança do magistrado, que é titular da Vara onde Moreira Lima estava. O vazamento foi confirmado pelo magistrado ao CNJ em março, conforme revelou ontem o jornal O Estado de S. Paulo. A Polícia Federal detectou o vazamento de informações, comunicou o magistrado e passou a investigar os indícios na tentativa de encontrar o responsável.
Ao mesmo tempo em que o vazamento era descoberto, o juiz Leão Aparecido Alves soube que um telefone que estava em seu nome estava sendo monitorado. Por isso, o juiz encaminhou à Corregedoria-Geral do Tribunal Regional Federal da 1ª Região uma representação contra Moreira Lima.
No dia seguinte à representação, o corregedor-geral do TRF1, Cândido Ribeiro, foi a Goiânia para ouvir Moreira Lima. Conforme relato feito ao CNJ, Moreira Lima teria ouvido críticas à sua conduta e a afirmação de que deveria abandonar o caso, pois estaria “apaixonado pela causa”.
Moreira Lima foi então à Brasília para pedir respaldo da corregedora Eliana Calmon. Para solucionar a crise interna, um juiz auxiliar do CNJ foi a Goiânia mediar uma conversa entre Leão Aparecido Alves e Moreira Lima. O embate poderia comprometer a Operação Monte Carlo, que seria deflagrada semanas depois do episódio.
CRÍTICAS
As críticas feitas pelo juiz federal do TRF1 Tourinho Neto, no julgamento de habeas corpus a favor de Cachoeira, também incomodou Moreira Lima. “Não se pode haver a banalização das interceptações, que não podem ser o ponto de partida de uma investigação, sob o risco de grave violação ao Estado de Direito”, afirmou Tourinho Neto.
Além de tudo isso, Moreira Lima passou a ser ameaçado, o que pesou decisivamente para sua saída do caso. “Minha família, em sua própria residência, foi procurada por policiais que gostariam de conversar a respeito do processo atinente a Operação Monte Carlo, em nítida ameaça velada, visto que mostraram que sabem quem são meus familiares e onde moram”, afirmou o juiz ao renunciar à causa.
O juiz que julgará o processo contra Cachoeira, Alderico Rocha Santos, informou em nota que começará em julho a analisar o caso e prometeu celeridade.
“Diante da repercussão dos fatos, tenho certeza que tanto os acusados como a sociedade têm interesse no esclarecimento dos mesmos o mais breve possível, a fim de que sejam absolvidos os inocentes e condenados os culpados, se houver”, disse.
(Agência Estado)
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