A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira passa por uma crise de identidade. Além de não conseguir que os depoentes falem, os integrantes da CPI gastam a maior parte do tempo em meio a uma disputa política protagonizada pelo PT e o PSDB. Dos 26 convocados, apenas seis não usaram do direito de permanecer em silêncio na CPI. Ontem, quatro depoentes sequer apareceram para depor. Diante do marasmo, a CPI pretende reconvocar o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
O mais novo round da desavença entre tucanos e petistas acontecerá na quinta, na sessão administrativa da CPI. A oposição (PSDB, DEM e o PPS) e os chamados parlamentares independentes (PDT) querem convocar Fernando Cavendish, principal acionista da Delta Construções, e o ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot.
Em represália, o PT e parte dos partidos aliados ameaça chamar o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira da Silva, o Paulo Preto, acusado de ter feito caixa 2 para os tucanos. Quer convocar ainda Adir Assad, empresário de São Paulo (estado governado pelo tucano Geraldo Alckmin) que fez carreira no ramo do entretenimento, e é suspeito de ser um dos laranjas de Cachoeira.
"Esta é uma CPI diferente porque resulta de duas operações da Polícia Federal. A maioria das pessoas que chega aqui já é investigada", disse o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), ao refutar que os trabalhos da comissão estão esvaziados. "Já temos muita informação", afirmou.
Cunha cita o exemplo de Ana Cardozo de Lorenzo, uma das sócias da empresa de pesquisa de opinião Serpes, que não apareceu nesta terça para depor na CPI.
Em documento enviado por seus advogados à CPI, Ana Cardozo reconheceu ter recebido R$ 28 mil, no dia 6 de setembro de 2010, por pesquisa eleitoral para consumo interno contratada por Edivaldo Cardoso, do PT do B. Na época, Edivaldo _ que também não foi nesta terça à CPI _ era presidente do Detran de Goiás. Segundo as investigações da Polícia Federal, Edivaldo seria sócio de Cachoeira e um de seus indicados no governo do tucano Marconi Perillo.
"Esse é um vínculo contundente de alguém do governo de Goiás com o contraventor", argumentou Cunha. Ele preferiu, no entanto, não responder às críticas de Perillo que, em entrevista ao Estado, o acusou de ser "jagunço a serviço de terceiros". "Não vou bater boca com o governador."
Paralelamente aos conflitos políticos, técnicos da CPI detectaram que dados bancários enviados à comissão são inconsistentes.
(Agência Estado)
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