O ex-ministro Patrus Ananias, candidato à prefeitura de Belo Horizonte, vai enfrentar uma “guerra” em sua terra natal. Foi o que, segundo ele, afirmou a presidente Dilma Rousseff, referindo-se ao embate que o petista terá com o prefeito Marcio Lacerda (PSB), que disputa a reeleição em campanha comandada pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG). Apesar de negarem a intenção de nacionalizar a eleição municipal, a “guerra” já começou centrada em troca de ataques ao PT e ao governo federal, por parte do tucano, e, por parte do petista, ao próprio senador, cotado para disputar a Presidência em 2014.
Em discurso de lançamento da campanha no fim da noite de quinta-feira, Patrus afirmou, ao lado do presidente nacional da legenda, deputado estadual Rui Falcão (SP), que Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entraram em contato com ele se comprometendo com a candidatura na capital mineira. “O próprio presidente Lula e a presidente Dilma me ligaram para dizer que estarão conosco. Ela disse: você vai enfrentar uma guerra. Eu estarei ao seu lado”, contou, referindo-se à presidente.
Antes de ser confirmado o candidato do PT à disputa, Patrus afirmou ao Grupo Estado que as condições para aceitar disputar a prefeitura era a participação efetiva de Lula e Dilma na campanha, além de “apoio político e material” para a candidatura por parte da direção nacional do partido. Mas, além deles, até o ex-presidente Tancredo Neves (PMDB), morto em 1985, entrou na disputa na capital. “Não podemos deixar que um homem na dimensão de Tancredo Neves seja aprisionado, com pensamento restrito. Tancredo pertence a Minas, ao Brasil. Pertence ao PMDB. Pertence à resistência democrática do povo brasileiro. (É) muito mais importante que seus descendentes”, disparou. E, sem citar diretamente Aécio, afirmou que os “descendentes” de Tancredo “infelizmente não têm sua grandiosidade”.
Mais cedo, em entrevista na sede do PSDB mineiro, o senador já havia feito vários ataques ao governo federal e ao PT, que classificou como “partido da intervenção”. De acordo com o tucano, a legenda adversária, “que nasceu com uma proposta diferente”, se desvirtuou. Hoje, segundo Aécio, “sempre que tem que optar entre o interesse público e o PT, o PT fica com o PT”. “Foi assim na eleição de Tancredo, quando o PT se negou a dar a ele apoio no Colégio Eleitoral”, exemplificou.
Além das trocas de ataques, as campanhas de Lacerda e Patrus também travam uma guerra pelo apoio de outras legendas.
Segundo balanço dos registros das candidaturas divulgado nesta sexta pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), quatro partidos foram inscritos nas duas coligações: PSD, PCdoB, PDT e PRB. Porém, os comandos das campanhas já dão como certa a adesão do PSD e PCdoB à candidatura petista, enquanto PDT e PRB devem ficar na aliança do socialista.
A confirmação das coligações será feita pela Justiça Eleitoral, após consulta às direções dos partidos.
Brant deixa PSD depois da intervenção
A intervenção do prefeito de São Paulo e presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, em favor do PT na eleição de Belo Horizonte, produziu a primeira baixa no partido recém-legalizado. Inconformado com “o ato truculento” tramado no gabinete da presidente Dilma Rousseff para desmontar a aliança com o PSB do prefeito Márcio Lacerda, o vice-presidente nacional do PSD, Roberto Brant, abandonou o posto na direção partidária e anunciou sua desfiliação da legenda.
“Como é que o prefeito de São Paulo desembarca em Belo Horizonte para interferir na política mineira?”, questionou o ex-deputado e ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso que ajudou Kassab a montar o PSD em Minas Gerais. “Dizem que ele o fez para pagar débitos políticos atrasados com o PT, mas fiquei magoado e ferido como mineiro e dirigente do PSD porque não fui ouvido e BH não é moeda de troca para isto”, protestou.
Brant entende que a tese da nacionalização da eleição em Belo Horizonte, não justifica “de jeito nenhum” a intervenção, até porque Kassab está praticando a política do “faça o que eu mando e não faça o que eu faço”. Afinal, destaca, em SP Kassab apoiou Serra, “que faz o discurso mais oposicionista do Brasil”. Ele diz que, entre a presidente Dilma e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), não saberia em quem votar se a sucessão presidencial fosse hoje. “Não tenho restrição à Dilma”, completa.
Brant afirma que o PSD foi constituído em reação ao autoritarismo dos partidos brasileiros, que em grande parte funcionam com comissões provisórias que são implodidas pela direção nacional sempre que há conflitos.
(Agência Estado)
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