Apontada como empresa de fachada, registrada em nome de um "laranja", a MB Serviços de Terraplenagem recebeu em menos de dez meses R$ 22,3 milhões da Delta Construções. Os repasses foram feitos por apenas uma das contas da empreiteira, aberta em agência do Banco do Brasil em Botafogo, no Rio de Janeiro, e abastecida com recursos de diversos órgãos públicos, entre os quais os governos fluminense, pernambucano e paraense.
Os dados constam das quebras de sigilo bancário enviadas à CPI do Cachoeira. A comissão avaliará a convocação de Bruno Estefânio de Freitas, sócio majoritário da MB. Em entrevista à revista "Veja", ele negou ser dono da empresa, em cujo endereço, em Saquarema, funciona outra firma, de consultoria financeira.
Para integrantes da CPI, as informações evidenciam que a Delta mantinha um esquema nacional de pagamentos ilegais, não necessariamente ligado à organização do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, supostamente restrita ao Centro-Oeste.
Pela agência no Banco do Brasil, a Delta transferiu também R$ 13,3 milhões à Adécio & Rafael Construções, outra empresa fantasma, que foi usada, no mesmo período, para fazer pagamentos a Valdir dos Reis. Ex-servidor do Governo do Distrito Federal (GDF), ele articulava fraudes no serviço de bilhetagem eletrônica, a ser licitado pela Secretaria de Transportes do DF, mas o esquema foi descoberto pela Polícia Federal.
"Tudo indica se tratar de uma conta para o pagamento de propinas da Delta. Estou convencido, a partir dos dados, que o esquema é nacional e extrapola o Centro-Oeste", afirma o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).
(Agência Estado)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar