Demóstenes lembrou que Humberto Costa foi absolvido pela Justiça de suposto envolvimento com a chamada máfia dos sanguessugas, um esquema de desvio de recursos da época em que comandou o Ministério da Saúde. "Ele provou que era um homem honrado: por que a minha cabeça tem que rolar?", questionou.
O ex-senador disse que "o maior advogado" que tinha era o rádio Nextel, aparelho que recebeu de Cachoeira e cujas contas eram pagas pelo contraventor. Sem se referir a este fato (um pouco antes dele, seu advogado, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse que cassá-lo por isso era desproporcional), Demóstenes mais uma vez disse que nada apareceu contra ele nas 250 mil horas de gravação. "O que existe contra mim? Nada, nada, nada, nada", afirmou.
Referindo-se mais uma vez a Humberto Costa, Demóstenes fez o que considerou uma revelação em plenário: que havia passado o carnaval do ano passado com o senador Edison Lobão Filho (PMDB-MA). O relator dissera que o ex-senador passou por vários locais durante as festividades, possibilidade só possível se tivesse sido bancado pelo contraventor. "O senador Humberto Costa mentiu? Eu provei para ele que ele não falou a verdade. O PSOL vai pedir a cabeça dele?", perguntou.
Conhecido durante os nove anos e meio de mandato por ser implacável na cobrança aos pares, o ex-senador pediu perdão a quem ele "levianamente" agrediu. "Quem cassa senador é senador, não é a imprensa. Por favor me deem a oportunidade de provar minha inocência. Não acabem com a minha vida, nem me deixem disputar outra eleição em 2030", clamou.
Coube ao senador Randolfe Rodrigues (AP), do PSOL, partido que entrou com pedido de quebra de decoro contra Demóstenes em março, fazer uma das defesas mais enfáticas da cassação dele durante os debates. "O que está em jogo não é a condenação de conduta errônea. A votação de hoje é um sinal a milhões de brasileiros sobre a credibilidade de uma instituição centenária, fundamental para democracia em nosso País", afirmou.
O SUPLENTE
Ao lado dos filhos Pedro e Vitor, o novo senador, Wilder de Morais (44), que é filiado ao DEM e entra na vaga deixada por Demóstenes, vai comunicar formalmente nesta quinta que deixará o cargo de secretário estadual de infraestrutura, em Goiás.
Esta é a única decisão conhecida pelo novo senador, que viu cair no colo a cadeira de senador. O suplente dele será José Eduardo Fleury (DEM). "Eu nunca pensei em ser político", disse Wilder de Morais para o ex-sogro, Lair Mendonça,após receber convite de Demóstenes para primeiro-suplente, em 2009.
Lair, pai de Andressa Mendonça, foi ajudado por Wilder na disputa por vaga de vereador em Goiatuba.
(Agência Estado)
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