O presidente da CPI do Cachoeira, senador Vital do Rego (PMDB-PB), encontrou um jeito de tentar jogar mais uma vez as luzes dos holofotes sobre a comissão antes do início do recesso parlamentar, que começa na quarta e vai até o dia 31. Como não haverá mais nenhuma sessão deliberativa nem de tomada de depoimentos antes das férias dos parlamentares, Vital do Rego convocou uma entrevista coletiva para fazer um balanço da CPI, desde sua instalação, em 25 de abril, até a terça.
O senador pretende dizer, na entrevista, que a CPI não vai interromper suas atividades no recesso do Congresso porque os integrantes do colegiado poderão intensificar a análise dos documentos recebidos, visto que o expediente na sala-cofre prosseguirá normalmente. Será uma tentativa de ganhar tempo, pois até agora os resultados das investigações da CPI foram quase nulos e os parlamentares continuam dependendo do que foi apurado pela Polícia Federal nas Operações Vegas e Monte Carlo.
Nos depoimentos que já colheu, a CPI também não conseguiu deslanchar. Algumas peças-chave, como o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e o ex-diretor da Delta Construções no Centro Cláudio Abreu negaram-se a responder às perguntas dos deputados e senadores. Alegaram o direito constitucional de ficar calados. Desse modo, a CPI continua patinando quando tenta desvendar o esquema montado por Carlinhos Cachoeira.
Dos que aceitaram responder às perguntas, como os governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), a CPI não conseguiu arrancar quase nada. Os dois negaram qualquer vinculação com Cachoeira. A quebra do sigilo bancário deles não resultou em avanços nas investigações. Por enquanto, as notícias publicadas pelos meios de comunicação com base nos grampos da Polícia Federal têm surtido mais efeito do que o trabalho da CPI.
Para atrapalhar mais um pouco as investigações, o colegiado se dividiu entre petistas que tentam a todo custo encontrar vínculos do governador de Goiás com Carlinhos Cachoeira, e os tucanos que tentam defender Perillo e achar alguma coisa que possa atropelar o governador Agnelo Queiroz. A briga entre os dois lados chegou a tal ponto que nesta segunda o líder do PT, Jilmar Tatto (SP), um dos defensores da ideia de "pegar" Perillo, disse que não é necessário reconvocar o governador, e sim defender o seu impeachment.
Na volta aos trabalhos, a CPI terá pela frente depoimentos do empresário Fernando Cavendish, presidente licenciado da Delta, do ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot e de alguns assessores ou ex-auxiliares de Perillo.
Da parte de Cavendish, já chegou à CPI a informação de que ele não tem nada para dizer; Pagot ainda é um mistério. Os partidos de oposição acreditam que ele poderá contar "coisas" que possam atingir o governo.
(Diário do Pará)
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