Mais magro, com semblante cansado e de poucos amigos, o ex-senador Demóstenes Torres (51) voltou, ontem, ao trabalho. Numa sala modesta, e com direito a dois funcionários, o senador cassado está de volta ao local que o projetou como guardião da moralidade - a 27a. Procuradoria de Justiça, do Ministério Público de Goiás (MPE-GO).
Mesmo assim, a volta de Demóstenes, às 10h33min foi silenciosa. Após cumprir cinco dias de licença, o procurador de Justiça desceu do elevador privativo sozinho, sem ser notado. Cercado por jornalistas, no corredor e diante da porta, se negou a dar entrevistas.
No interior da sala, foi recebido pelo assessor. Pediu e recebeu um cafezinho, cumprimentou dois amigos que o visitaram, depois se trancou. “Ele pediu café com adoçante”, disse a copeira Roseane Lopes.
O MP não informou o salário ou o número de funcionários. Mas, sabe-se que Demóstenes terá de selecionar dois novos auxiliares a que tem direito. Os atuais, são vinculados ao procurador Sérgio Abinagem, da 29a. Também se comenta no MP que os dois procuradores, Abinagem e Demóstenes, deverão mudar a rotina de suas áreas de trabalho.
Neste caso, Sérgio Abinagem voltará para sua área de origem, a Criminal. E Demóstenes trocará a atual Criminal pela antiga Cível, tida como “sua praia” - a que projetou o promotor público, desde 1983, para Procurador Geral de Justiça (1999-2002), depois Secretario Estadual de Segurança Pública e Justiça (1999 ) em Goiás, e afinal senador da República (2001-10 e 2011-12).
Oficialmente cassado e inelegível até 2027, o ex-senador vai responder a processo disciplinar, na Corregedoria Geral do MP.
O processo visa investigar uma “eventual infringência de dever funcional”, dele, como procurador de Justiça enquanto exercia o mandato de senador.
(Agência Estado)
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