O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, cobrou explicações à Polícia Federal sobre a identificação de corpos de vítimas da ditadura. Pressionado por críticas ao trabalho da corporação, responsável por fazer exames de DNA em ossadas de possíveis desaparecidos e auxiliar nas buscas, ele informou que aguarda esclarecimentos para se posicionar sobre o caso e tomar eventuais providências.Ofício da Comissão da Verdade ao ministro pede informações sobre o estágio das expedições e dos testes em corpos, além dos resultados já obtidos. O motivo é documento do MPF, revelado pelo Grupo Estado, com acusações à Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência e à Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos. A PF é parceira dos dois órgãos no trabalho de identificação.O relatório menciona as dificuldades para encontrar mortos e desaparecidos nos cemitérios de Vila Formosa e Dom Bosco, no bairro de Perus. Separadas em 1990, 1.049 ossadas estão desde 2001 no Cemitério do Araçá (SP), sem qualquer tipo de exame.O MP cita os casos de Hiroaki Torigoe, que, apesar da indicação das ossadas, não entrou na pauta da comissão; e Aylton Mortati, cujos restos mortais aguardam a finalização de testes antropológicos e de DNA desde 2010. Cópia do relatório foi enviada a Cardozo, mas ele alegou , por sua assessoria, que seria precipitado se pronunciar sem ouvir a PF.Presidente do Grupo Tortura Nunca Mais no Rio, grupo formado por familiares de vítimas da ditadura, Vitória Grabois diz que tem faltado vontade política para dar à comissão e seus parceiros melhores condições.
(AE)
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