Três ministros do Supremo Tribunal Federal reagiram ontem às declarações da corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon, segundo as quais a Corte será julgada pela opinião pública durante a avaliação do processo do mensalão.
“Quem é ela para dizer que seremos julgados? O Supremo não é passível de sugestões, muito menos de pressões”, disse o ministro Marco Aurélio Mello. “A toda hora estamos sendo julgados. Não é só nesse caso”, afirmou o colega Gilmar Mendes. “O Supremo tem que estar acima dessas paixões passageiras”, disse o também ministro Luiz Fux.
Marco Aurélio disse que o julgamento deve seguir uma linha técnica, sem influência política. “O que se espera, de fato, é que o julgamento fique exclusivamente restrito ao que os autos contêm. Manifestações desse tipo (de Calmon) criam toda uma excitação”, afirmou o ministro.
A corregedora deu suas declarações sobre o julgamento na segunda-feira em São Paulo. “Há por parte da Nação uma expectativa muito grande e acho também que o Supremo está tendo o seu grande julgamento ao julgar o mensalão”, disse Eliana. “Hoje, eles (os ministros) têm, sim, uma preocupação porque o País mudou e a população está participando.”
Marco Aurélio condenou a postura da ministra. “Uma corregedora-geral chegar ao ponto de dizer que seremos julgados não contribui para o engrandecimento das instituições. Ela (ministra) evoca uma pressão”, disse. “Não me sinto desafiado, de modo algum. Estou há 33 anos na carreira de magistrado, se eu puder ficar sugestionado nessa quadra da minha vida terei que deixa a toga.”
“A opinião (de Eliana) é amplamente dispensável”, insistiu Marco Aurélio.
(AE)
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