Denunciado pelo Ministério Público Federal, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, usou seu tempo de defesa para fazer declarações de amor a Andressa Mendonça, sua companheira há três anos. O contraventor disse que não responderia aos questionamentos relacionados ao processo, ressaltando que gostaria de fazer “um bom debate” com os procuradores sobre as provas colhidas durante as investigações da operação Monte Carlo. No entanto, diante das falhas processuais, disse Cachoeira, decidiu permanecer em silêncio.
“Ela me deu uma nova vida. Te amo, tá?”, disse o bicheiro à Andressa que, na sequência, declarou seu amor ao companheiro do meio do público. No início do depoimento, Cachoeira afirmou que casaria assim que o Ministério Público o liberasse. Andressa já aceitou o pedido. O casório foi adiado por conta da prisão do noivo. Os dois moravam juntos na casa que era do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), no bairro Alphaville. Hoje se encontram semanalmente na Penitenciária da Papuda.
Contudo, a empresária, que acompanhou os dois dias de audiência, já avisou que se ele permanecer detido vai diminuir o ritmo das visitas por conta do assédio da imprensa e do ambiente “pesado” da cadeia.
Preso preventivamente há 148 dias, Cachoeira disse estar sofrendo com seu estado de “leproso jurídico”.
Ao juiz, ele explicou que as decisões judiciais são sempre contrárias e que tem poucos votos favoráveis nos tribunais. Bem humorado e sorridente, Cachoeira falou por aproximadamente cinco minutos. O tom “teatral” do bicheiro já era esperado por membros do MP.
Cachoeira foi o quarto réu a falar. Todos os sete - Geovani Pereira está foragido -- usaram o direito constitucional de permanecer em silêncio. Responderam apenas perguntas de qualificação e, em alguns casos, fizeram desabafos.
Gleyb Ferreira chorou ao falar da prisão. Homem de confiança de Cachoeira no esquema, segundo a denúncia do MP, ele alegou que foi preso injustamente. Ele se disse humilhado por conviver com marginais, estupradores e traficantes na cadeia. “Só entendo que não há justiça dentro da justiça.”
O desabafo de Gleyb levou sua mulher a cair no choro. Ela foi consolada pelas esposas dos demais réus.
Lenine Araújo insistiu que as provas obtidas pela PF são ilegais.
(AE)
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