Após a abertura do julgamento do mensalão, nesta quinta-feira, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos pediu o desmembramento do processo. Bastos defende o réu José Roberto Salgado, ex-vice-presidente do Banco Rural, um dos 40 réus envolvidos no julgamento, acusado de ter facilitado empréstimos para o PT e para as empresas de Marcos Valério.
O advogado questiona o fato de todos os réus estarem sendo julgados pelo STF (Supremo Tribunal Federal), quando apenas três deles têm essa prerrogativa – os deputados federais Pedro Henry (PP-MT), João Paulo Cunha (PT-SP) e Valdemar Costa Neto (PR-SP).
Neste momento, os ministros estão analisando a questão de ordem. Na sequência, o relator da ação penal, ministro Joaquim Barbosa, lerá um relatório resumido de três páginas lembrando a história do processo. Em geral, os relatórios de casos de impacto têm pelo menos uma dezena de páginas, mas os ministros decidiram reduzir essa etapa para poupar tempo.
Depois disso, o procurador-geral da República, Roberto Gurel, falará por cinco horas, destacando as conclusões do Ministério Público sobre a culpa de cada réu. Ele será o único a falar nesta quinta-feira, e a sessão será encerrada logo após suas considerações.
O processo
A denúncia do Mensalão foi feita em 2006 pelo ex-procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, e aceita em 2007 pelos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). O esquema, segundo a acusação, inclui compra de votos e formação de caixa dois para a campanha do então candidato à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva.
Ao todo, 40 réus foram acusados pelos crimes quadrilha, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, peculato, evasão de divisas e gestão fraudulenta de instituição financeira. Dois deles tiveram o processo suspenso. Silvio Pereira, ex-secretário-geral do PT, que fez um acordo com a Justiça para não ser processado e cumpriu 750 horas de serviço comunitário. E José Janene, em razão de sua morte, em 2010. (Band)
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