Marcos Valério foi o culpado de tudo. Essa foi a justificativa dada no segundo dia de defesa dos advogados no julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF) em que foram ouvidos quatro defensores de sócios e funcionários das agências de publicidade envolvidas no esquema. Para tentar chamar a atenção dos ministros, os advogados chegaram a comparar a denúncia a um “roteiro de novela das oito” e desqualificar os próprios clientes para mostrar que eles não teriam como atuar na “sofisticada organização criminosa” a que se refere o Ministério Público.
O REPASSE
O advogado de Cristiano Paz foi o primeiro a repassar a culpa. Sócio de Valério, ele sustenta que atuava exclusivamente na área de criação publicitária. “A tarefa que lhe cabe (de criação) é superexaustiva. Ele se dedica integralmente a essa tarefa, impossibilitando, de forma muito clara, realizar qualquer outra atividade”, disse Castellar Modesto Guimarães, seu advogado.
Não foi comentado por Guimarães o fato de Paz assinar alguns dos cheques usados para saques no esquema. Reconheceu-se, porém, que a agência tinha atividades ilícitas, atribuídas ao sócio. “As atividades de Cristiano não se mesclavam porque eram inteiramente lícitas”.
O defensor de Rogério Tolentino foi na mesma linha. Paulo Sérgio Abreu e Silva destacou que seu cliente era advogado da agência, não tendo sociedade com Valério. Ele afirmou que o empréstimo de R$ 10 milhões feito no banco BMG a pedido do publicitário foi lastreado por uma garantia dada pela SMP&B e que não coube a Tolentino a destinação dos recursos.
A defesa sustenta que Tolentino repassou a Valério os recursos, tendo inclusive assinado cheques em branco. Segundo o Ministério Público, o dinheiro foi parar na conta de uma empresa, que fez repasse a três deputados do PP.
Abreu e Silva usou várias expressões populares para tentar chamar a atenção dos ministros e desqualificar a acusação.
(AE)
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