Duas das principais acusações feitas pelo Ministério Público contra os réus do mensalão foram contestadas ontem pelos advogados de defesa: a afirmação de que o esquema se valeu de dinheiro público e a acusação de que o PT comprou os votos de parlamentares para aprovar projetos de seu interesse.
Os deputados Pedro Corrêa - presidente do PP - e Pedro Henry - líder do PP na época dos repasses - recorreram à tese do caixa dois de campanha para explicar o dinheiro que recebiam do PT por meio do empresário Marcos Valério em troca de votos. Ambos são acusados de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e corrupção passiva.
O ex-diretor de marketing do Banco do Brasil (BB) Henrique Pizzolatto, que teria alimentado o esquema com recursos públicos, afirmou que o dinheiro do fundo Visanet era privado e negou ter recebido R$ 326 mil para favorecer as empresas de Marcos Valério. Ele é acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato.
Na sessão desta quinta, a defesa do presidente do PP afirmou que o dinheiro repassado pelo PT por intermédio de Valério à legenda - R$ 2,9 milhões, conforme o MP - era gasto nas campanhas eleitorais. Pedro Henry alegou que não sabia que o partido estava recebendo recursos.
REPASSE PARA O PT
De acordo com a acusação, o dinheiro era repassado pelo PT, lavado pelas empresas Bônus Banval e Natimar e serviria para comprar o apoio do partido. O MP citou como principais exemplos as votações das reformas da Previdência e Tributária e para a aprovação da Lei de Falências. Corrêa alegou que não esteve sequer presente nas sessões da Câmara em que foram aprovadas a Reforma Tributária e a nova Lei de Falências.
“Todas, absolutamente todas as testemunhas citadas pelo Ministério Público e arroladas pela defesa afirmaram que o dinheiro da Bônus Banval, repassados pela Natimar não foram, em absoluto, para a compra de apoio de parlamentares. Eles foram para a campanha política de 2004 em decorrência de um acordo firmado entre o Partido dos Trabalhadores e Partido Progressista”, afirmou o advogado Marcelo Leal.
Na defesa de Pizzolato, seu advogado - Marthius Sávio Cavalcante - afirmou que os recursos do fundo Visanet são privados e negou que seu cliente tivesse poderes para antecipar o pagamento de R$ 73 milhões desse fundo para as empresas de Valério. “Não há nenhum dirigente no Banco do Brasil que possa tomar decisões isoladas individuais”, afirmou. Ao contrário da defesa, o MP alegou que esse dinheiro teria origem pública.
RELATOR QUESTIONA
Relator da ação do mensalão, o ministro Joaquim Barbosa perguntou ao advogado de onde saía o dinheiro para o fundo e quem determinava a transferência de recursos para as agências de publicidade. Cavalcante afirmou que um porcentual de cada compra feita com um cartão do banco de bandeira Visa é repassado para o fundo, usado para estimular o uso dos cartões de crédito e débito.
Como pagamento pela antecipação desses recursos, Pizzolato teria recebido R$ 326 mil de Valério em um pacote, conforme o MP. O advogado do ex-diretor disse que seu cliente não sabia que o pacote estava recheado com dinheiro e disse que pegou a encomenda a pedido de Valério e o repassou - sem abri-lo - para o PT.
(AE)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar