O indiano Raju Narisetti, editor executivo do Digital Network do Wall Street Journal, fez ontem, no segundo e último dia do 9.º Congresso Nacional de Jornais, em São Paulo, o contraponto do debate sobre cobrar ou não pelos conteúdos da internet. Voz solitária contra a maioria de palestrantes que defenderam o sistema paywall, Nasiretti disse que essa decisão não pode ser apressada. "É preciso ir devagar", advertiu. Pois nem todos têm a força, o prestígio, de um New York Times ou do próprio WSJ - onde ele trabalha e dirige um serviço digital que nasceu pago e assim continua.
Ao defender sua fórmula, que chamou de freewall, Narisetti avisou que "ela demanda muito planejamento" - para se chegar, mais tarde, a um patamar em que o serviço se torne rentável, sem pesar para os usuários. "O que precisamos é reexaminar o tema, não seguir cegamente em frente. O que funciona para grandes jornais não vai funcionar para muitos outros."
Em outras mesas, vários convidados disseram o contrário. O mais entusiasmado pela ideia de cobrar foi o alemão Mathias Dopfner, diretor-presidente da Axel Springer, uma grande rede de jornais e revistas que tem como carro-chefe o diário Bild. Festejado por tirar o grupo de uma situação difícil, há alguns anos, para um faturamento de 600 milhões de euros em 2011, Dopfner afirmou que é preciso olhar para o futuro, quando o jornal "será como um guardanapo, leve, flexível, para se guardar no bolso".
Sua provocação: se o cidadão já paga por telefone, por celular, por aplicativos, por que não pagaria pelo site? O meio tecnológico, daqui a 50 anos, resumiu, "estará tão adiantado que o único que importará será, de fato, o conteúdo". O meio digital "oferece um espaço ilimitado, é muito mais rápido, elimina custos como papel ou distribuição, e não há por que imaginar que será malfeito". E acrescentou: "Há muita imbecilidade mas também muita qualidade no digital, se você contar com bons jornalistas" Convencido disso, ele leva adiante, no seu grupo, planos de implantar a cobrança nos próximos meses. "Se houver erros, vamos entender e corrigir. Mas é preciso tentar."
Na sua exposição, o indiano Narisetti condicionou a ideia de seu freewall a muita organização. Lembrou que com internet livre o jornal terá mais matérias lidas, mais tempo do leitor olhando seus anúncios, mais fidelidade desse leitor - e isso não se pode jogar fora.
(Agência Estado)
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