O Palácio do Planalto divulgou ontem uma nota oficial assinada pela presidente Dilma Rousseff rebatendo duramente as críticas feitas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) ao governo do seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva em artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo no último domingo. No texto, a presidente afirma ser necessário “recolocar os fatos nos seus devidos lugares”.
“Recebi do ex-presidente Lula uma herança bendita. Não recebi um país sob intervenção do FMI (Fundo Monetário Internacional) ou sob ameaça de apagão”, afirma no texto, lembrando as crises pelas quais o País passou durante os últimos anos da gestão de FHC. “Recebi uma economia sólida, com crescimento robusto, inflação sob controle, investimentos consistentes em infraestrutura e reservas cambiais recordes.”
A presidente ainda cita que recebeu um país “menos desigual”, “mais respeitado lá fora graças às posições firmes do ex-presidente Lula no cenário internacional” e classifica Lula como “um democrata que não caiu na tentação de uma mudança constitucional que o beneficiasse”, em uma alusão clara, mesmo que não explícita, à mudança na lei que permitiu a reeleição presidencial.
“Não reconhecer os avanços que o País obteve nos últimos 10 anos é uma tentativa menor de reescrever a história. O passado deve nos servir de contraponto, de lição, de visão crítica, não de ressentimento. Aprendi com os erros e, principalmente, com os acertos de todas as administrações que me antecederam. Mas governo com os olhos no futuro.”
REPERCUSSÃO
O presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), usou de ironia para responder à nota divulgada pela presidente Dilma Rousseff em apoio ao governo de seu antecessor.
Para o tucano, apesar do discurso, a presidente adotou, na prática, comportamento bem distinto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Apesar de ter demitido quase metade dos ministros, de ter chacoalhado a Petrobras, ela (Dilma) faz de conta que não aconteceu nada. Faz de conta que os ministros que vieram do governo passado eram bons, que as práticas de antes eram limpas e que foi a força da gravidade que a fez mudar a diretoria da Petrobras, não a constatação de que a empresa ia e continua muito mal. Nós entendemos a presidente. O importante é que a senhora trabalhe direito e não fique apenas nas palavras”, afirmou Guerra, em nota.
(AE)
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