A presidente Dilma Rousseff anuncia amanhã mais um pacote para estimular a economia: a conta de luz ficará mais barata em 2013, para empresas e pessoas físicas.
Mas a equipe econômica do governo já estuda usar parte do “espaço” que será criado no índice de inflação, com a queda dos preços da eletricidade, para conceder o primeiro reajuste do preço da gasolina para o consumidor em quase oito anos.
A Petrobras, que registrou o primeiro prejuízo no segundo trimestre em 13 anos, pressiona pelo aumento do combustível. A decisão de cobrar do consumidor final um aumento no preço da gasolina tem sido postergada pelo governo, que preferiu cortar um tributo sobre o combustível para evitar que o aumento de preço na refinaria contaminasse o valor cobrado nos postos. O problema é que esse espaço acabou.
No fim de junho, o governo autorizou a Petrobras a aumentar o preço da gasolina em 7,4%, mas essa elevação não chegou ao consumidor porque o governo levou a zero a alíquota da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), blindando os preços pagos pelo consumidor.
Como não há mais como reduzir a Cide, ou o governo reduz outro tributo ou o aumento vai parar na bomba, pressionando a inflação
O congelamento do preço da gasolina também provoca outro problema econômico: de janeiro a julho deste ano, a Petrobras importou mais de US$ 6 bilhões em combustíveis, uma ampliação de 417% na comparação com 2011. Por comprar gasolina pagando a cotação internacional e revendê-la a preços domésticos, a Petrobras registrou prejuízo de US$ 1,3 bilhão de abril a junho deste ano.
Esta realidade deve mudar em 2013. O aumento do preço da gasolina, caso seja efetivamente concretizado, não deve ser anunciado neste ano, uma vez que o governo não quer pressionar o IPCA de 2012. No ano que vem, avaliam os técnicos, a velocidade da atividade vai aumentar. Mas uma retomada da demanda não deve pressionar a inflação, que será auxiliada pelas medidas tomadas ao longo deste ano.
(AE)
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