Sob iminente risco de greve dos funcionários, os Correios ingressaram ontem com proposta de dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Em nota, a empresa informou que a medida foi tomada com “o objetivo de garantir a normalidade do atendimento à população brasileira”.
Segundo informações dos Correios, a ação é de natureza mista: revisional, jurídica e de greve. A primeira pede a revisão do acórdão vigente, fruto do dissídio de greve de 2011 e que tem validade por quatro anos. A segunda é para esclarecer dúvidas sobre a cláusula que trata do vale-refeição/alimentação extra, fornecido pela empresa a todos os trabalhadores em dezembro. A terceira parte pede a intermediação do TST, em vista da greve e do esgotamento das negociações.
Os Correios argumentam que desde 3 de julho estão sendo realizadas tentativas de diálogo com as entidades sindicais. “No início de setembro, a ECT ofereceu reajuste de 5,2% reajuste de salários e benefícios, garantindo o poder de compra do trabalhador com a reposição da inflação do último ano. O salário-base inicial, por exemplo, iria para R$ 991,77. Se somado o adicional de atividade que os carteiros recebem, o vencimento subiria para R$ 1.289,30. Este cargo é de nível médio”, citou a nota. Antes, porém, os Correios haviam oferecido 3% de reajuste.
Além do reajuste, entretanto, um forte ponto de discórdia entre a empresa e os funcionários é uma proposta feita pelos Correios de alterações no sistema de atendimento à saúde. Nesse aspecto, os funcionários rejeitam mudança, temendo perdas em qualidade no atendimento.
Na capital paulista, principal praça postal do País, o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de São Paulo (Sintect-SP) avalia que “ou empresa melhora a proposta, ou a categoria vai à greve”. O sindicato realizou uma assembleia na terça-feira e rejeitou a proposta dos Correios, que prevê reajuste de 5,2%. Haverá nova assembleia na terça-feira , “para, se não houver avanços, deflagrar a greve da categoria”, conforme destacou boletim do sindicato.
O Sintect-SP está no grupo formado pelos “Sindicatos Unificados”, reunindo os trabalhadores da capital paulista e região metropolitana; de Bauru, no interior paulista, e dos Estados do Rio de Janeiro e Tocantins. O reajuste solicitado pelos “Sindicatos Unificados” é de 10,2%.
(AE)
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