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Para procurador, prova contra Dirceu é torrencial

Ao comentar o fato de um dos condenados no processo do mensalão, o ex-diretor do Branco do Brasil Henrique Pizzolato, estar fora do País desde agosto, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou que seria “a pior das frustrações” e “o pior do

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Ao comentar o fato de um dos condenados no processo do mensalão, o ex-diretor do Branco do Brasil Henrique Pizzolato, estar fora do País desde agosto, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou que seria “a pior das frustrações” e “o pior dos absurdos” se a fuga de um réu impedisse a execução das penas aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O procurador afirmou que por enquanto não há restrição à viagem de qualquer réu.

A Justiça do Rio não consegue encontrar Pizzolato para citá-lo em outro processo, de crime contra o sistema financeiro. “É estranho, não há dúvida”, afirmou Gurgel. “Em princípio, que eu tenha conhecimento, não há nenhuma restrição para viajar. É uma questão que tem que ser acompanhada. É preciso que, concluído o julgamento, se dê toda efetividade à decisão do Supremo e inclui evidentemente que os réus estejam em território brasileiro. O assunto deve ser visto com cautela porque seria a pior das frustrações a condenação pela mais alta corte do País e não ter a eficácia devida em razão de uma fuga”, afirmou o procurador-geral.

Pizzolato foi condenado em setembro pelo STF por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato. Roberto Gurgel lembrou que a decisão do Supremo pela condenações de vários réus “não é suscetível de modificação” e “é perfeitamente possível a execução dessa decisão, que pressupõe que estejam todos em território brasileiro”. No dia 13 de setembro, a juíza da 5ª Vara Federal Criminal do Rio, Simone Schreiber, atestou o sumiço de Pizzolato, depois de inúmeras tentativas de localizar o réu.

O MENTOR

Na véspera do início do julgamento dos acusados de corrupção ativa no processo do mensalão, Gurgel disse que a prova contra o ex-ministro José Dirceu é “torrencial”. O procurador apostou que o mensalão “vai dar cadeia” para muitos réus. Para Gurgel, a condenação será “um marco” para a mudança das práticas políticas no País.

“Até hoje a sensação era que essas práticas faziam parte da nossa cultura, podiam ser recriminadas do ponto de vista ético mas, falando em linguagem bem clara, jamais dariam cadeia para ninguém. A importância desse julgamento é dizer que esse comportamento na política dá cadeia, sim, e é inaceitável. Acredito firmemente (que vai dar cadeia), em número bem significativo”, afirmou. O procurador participou no Rio da posse do novo chefe da Procuradoria Regional da República da 2ª Região (PRR2), Nívio de Freitas Filho.

“A prova dos autos afirma que José Dirceu era o grande mentor, o grande líder daquela organização criminosa. Continuo absolutamente convencido da participação dele, a prova é mais que abundante, é torrencial em relação ao ministro José Dirceu”, afirmou o procurador.
Gurgel lembrou que possíveis recursos contra a condenação dos réus não vão alterar a decisão do Supremo e duvidou que uma ação na corte internacional surta algum efeito.

(AE)

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