Condenado pelo Supremo Tribunal Federal por corrupção ativa, o ex-presidente do PT José Genoino pediu demissão do cargo de assessor especial do Ministério da Defesa. Ex-presidente do PT (2003 a 2005), Genoino anunciou a renúncia durante reunião do Diretório Nacional da agremiação ao ler Carta Aberta ao Brasil, na qual diz que o STF errou e transformou “ficção em realidade” no julgamento do mensalão.
“Retiro-me do governo com a consciência dos inocentes. Não me envergonho de nada. Continuarei a lutar com todas as minhas forças por um Brasil melhor, mais justo e soberano, como sempre fiz”, disse Genoino.
Com a voz embargada e mãos trêmulas, ele cravou que o Supremo cometeu uma “injustiça monumental”. “A Corte foi, sobretudo, injusta. Condenou um inocente, condenou-me sem provas.” Ele se disse “indignado”.
Em almoço com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Paulo, a presidente Dilma Rousseff manifestou preocupação com Genoino. Mesmo que ele não entregasse o cargo, seria obrigado a sair do governo no fim do julgamento, por causa da condenação no Supremo.
Aplaudido por 90 dirigentes e convidados na reunião do diretório, Genoino emocionou-se. Companheiros de partido o saudaram com o refrão. “Genoino, guerreiro, do povo brasileiro “
“Sem provas para me condenar, basearam-se na circunstância de eu ter sido presidente do PT. Isso é o suficiente?”, ele perguntou na leitura da carta aberta, recheada de adjetivos fortes.
Genoino não citou a palavra mensalão. Disse, porém, que o julgamento ocorreu em meio a uma “diuturna e sistemática campanha de ódio” contra o PT e contra um “projeto político exitoso”, que, na sua avaliação, “incomoda setores reacionários, incrustados em parcelas dos meios de comunicação, do sistema de justiça e das forças políticas”.
(Diário do Pará)
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