A preocupação com as ameaças à liberdade de imprensa nas Américas foi a tônica dos discursos da cerimônia oficial de abertura da 68ª Assembleia Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), ontem, em São Paulo. Foram especialmente destacadas as ameaças que partem de governos considerados populistas. No pronunciamento, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), assinalou: “Creio que o populismo, com viés autoritário, representa hoje nas Américas a maior ameaça, não só à liberdade de imprensa, mas também à sua raiz mais ampla, que é a liberdade de expressão.”
O presidente do comitê-anfitrião da SIP, Júlio César Mesquita, membro do Conselho de Administração do Grupo Estado, apontou como ameaças os assassinatos de jornalistas cometidos por narcotraficantes e também os governos populistas. “Infelizmente, hoje, em pleno século 21, voltaram a ser uma realidade, como é o caso de Venezuela, Bolívia, Equador, Nicarágua e Argentina, que, diariamente, atacam a imprensa independente dessas nações”, afirmou.
O presidente da SIP, Milton Coleman, editor sênior do jornal “Washington Post”, observou que, apesar dos avanços democráticos no continente, os países ainda convivem com as sombras do autoritarismo. “Governos democraticamente eleitos estão tratando de promulgar leis que solapam a liberdade de expressão”, disse.
LIBERDADE
Convidada para a cerimônia de abertura, a presidente Dilma Rousseff comunicou neste domingo (14) à direção da SIP que não poderia comparecer. Alckmin e o prefeito da capital paulista, Gilberto Kassab (PSD), fizeram parte da mesa de abertura. No pronunciamento, o governador de São Paulo disse que eventuais abusos da imprensa não devem ser combatidos com a supressão da liberdade. “Abusos da imprensa - e eles ocorrem - se combatem com mais liberdade, não com menos. Combatem-se, quando de fato existem, com juízes de verdade, no Judiciário”, afirmou.
Alckmin disse não ter dúvidas de que, “quanto mais liberdade cultural, artística e jornalística existir em um país, maior é o seu grau civilizatório”. Ele criticou as propostas de controle dos meios de comunicação social: “Executada sob lemas grandiosos, como democratização dos meios de comunicação ou controle social da mídia, essa ameaça tem sempre a mesma receita, o poder esmagador do Estado em doses variadas de truculência.”
(AE)
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