A Justiça Federal de Minas Gerais condenou o ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares, o publicitário Marcos Valério e mais três pessoas por falsidade ideológica em razão de empréstimos fraudulentos tomados pelo partido no Banco BMG. Na mesma decisão, também foram condenados os diretores do BMG Ricardo Annes Guimarães, João Batista de Abreu, Márcio Alaôr de Araújo e Flávio Pentagna Guimarães, todos por gestão fraudulenta.
Para a juíza Camila Franço e Silva Velano, “Delúbio Soares e José Genoino, em razão do cargo que ocupavam, tinham amplo conhecimento das circunstâncias em que os empréstimos foram autorizados, considerando os altos valores negociados, as diversas renovações e a manifesta atipicidade das operações”. A dupla foi condenada a quatro anos de prisão.
Valério, os ex-sócios dele Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, e o ex-advogado das empresas do publicitário também foram condenados pelo crime. A Justiça entendeu que Valério foi o “verdadeiro líder das empresas tomadoras dos empréstimos, seja pelo cargo que ocupava, seja pela influência que nelas exercia”. Dos quatro réus, o publicitário teve a maior pena imposta, de quatro anos e seis meses de prisão.
Os demais foram condenados à pena máxima de quatro anos de cadeia. A mulher de Valério, Renilda Santiago, foi absolvida pela Justiça. O Ministério Público ainda não decidiu se recorrerá dessa decisão especificamente.
OS EMPRÉSTIMOS
Na sentença de 129 páginas, a juíza destacou que os empréstimos tomados não eram para serem quitados. “Os contratos celebrados pelo BMG com o Partido dos Trabalhadores e empresas do grupo Marcos Valério não tinham como objetivo serem realmente adimplidos, constituindo-se como instrumentos formais fictícios, ideologicamente falsos, cuja real intenção era dissimular o repasse de recursos aos tomadores”, afirmou.
(AE)
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