Inquérito da Polícia Civil do Distrito Federal, em andamento na Divisão Especial de Repressão aos Crimes Contra a Administração Pública (Decap), encontrou indícios de fraudes e desvios em contratos da empresa FJ Produções e Eventos com o Ministério da Educação (MEC).
Dados do Portal da Transparência mostram que, nos últimos dois anos, a empresa faturou mais de R$ 70 milhões no ministério. Este ano, a FJ - uma campeã de negócios com o MEC - já recebeu R$ 32 milhões do governo federal. Do total, mais de R$ 15 milhões vieram dos cofres da Educação.
O inquérito n.º 95/2011 foi aberto no ano passado para investigar a ação da empresa no governo do petista Agnelo Queiroz, mas depoimentos e buscas e apreensões no âmbito da Operação Balder acabaram identificando um braço do esquema no MEC, durante a gestão de Fernando Haddad, que deixou a pasta em janeiro deste ano.
Segundo as investigações, há suspeitas de que o grupo, comandado pelo empresário Jamil Elias Suaiden, dono da FJ, superfaturava contratos públicos, forjava pagamentos e fraudava processos licitatórios, inclusive no MEC.
Depoimentos
A Polícia Civil do DF também colheu depoimentos indicando que a empresa manipulava licitações no MEC, reforçando a análise preliminar dos documentos apreendidos. Em 13 de setembro de 2011, Ary Fernandes dos Santos, ex-gerente da FJ Produções, contou que Jamil Suaiden elaborava recursos administrativos em nome de empresas supostamente concorrentes para impugnar licitações no MEC e ganhar contratos.
“(...) A contratação de Alessandro, o gerente de locações, ocorreu para agradar servidor do alto escalão do MEC. Após a contratação, a FJ teria vencido um pregão”, disse o ex-gerente aos policiais. Alessandro ainda não foi ouvido pela Polícia Civil.
Prestador de serviços da FJ, Junior Rodrigues de Mendonça também sustentou em seu depoimento que Alessandro teria sido contratado apenas como “contraprestação” pelo contrato da FJ no MEC.
O empresário, dono da PA Sonorização Leda, disse ainda que a empresa de Jamil Suaiden pagava propina a um funcionário do governo do DF.
Superfaturamento
Na sede da FJ Produções, a polícia recolheu cópias de contratos do ministério e termos aditivos. Alguns documentos tinham lembretes referentes a pagamentos que seriam realizados somente em 2012. Parte do material apreendido, como computadores, pen drives e HDs, ainda não foi periciada.
A documentação está sendo analisada pelos policiais da Decap. Os primeiros relatórios - que tiveram como foco os contratos firmados pelo governo do Distrito Federal - identificaram superfaturamento nos eventos produzidos pela FJ Produções.
(AE)
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