O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, negou ontem ter sido vítima de chantagem de pessoas que ameaçavam revelar seu envolvimento com o esquema de desvio de verbas públicas da prefeitura de Santo André durante a gestão do prefeito Celso Daniel.
O ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira também negou que o empresário Marcos Valério o tenha procurado para levantar o dinheiro necessário a fim de “calar” o empresário Ronan Maria Pinto, que seria o responsável pela ameaça de ligar Lula e Carvalho ao esquema de propinas no município do Grande ABC.
Segundo a revista Veja desta semana, o encontro entre Valério e Pereira ocorreu em 2003, um ano depois do assassinato de Celso Daniel. Nesse encontro, o petista teria pedido dinheiro para evitar que Ronan fosse a público dizer que Lula e Carvalho eram beneficiários do dinheiro desviado da prefeitura de Santo André.
O Instituto Lula não quis comentar o caso nesta sexta-feira. Os assessores do ex-presidente afirmaram que desconhecem o conteúdo do novo depoimento de Valério prestado em setembro à Procuradoria-Geral da República.
“O ministro nunca teve qualquer contato com o sr. Marcos Valério, nem pessoalmente, nem por e-mail, telefone ou qualquer outro meio”, afirmou a Secretaria-Geral da Presidência por meio de nota oficial.
A pasta informou ainda que Carvalho “nunca teve conhecimento de qualquer ameaça ou chantagem” feita por pessoas que teriam informações a respeito de seu suposto envolvimento em pedidos de propinas durante a administração de Celso Daniel.
SECRETÁRIO
O ministro foi secretário municipal em Santo André de 1997 a 2001. E sempre negou a existência do esquema de pagamento de propina.
O SOMBRA
O criminalista Roberto Podval nega o envolvimento de Sérgio Gomes, o Sombra, na morte de Celso Daniel. Podval questiona no Supremo Tribunal Federal o poder de investigação criminal do Ministério Público.
O empresário Ronan Maria Pinto não foi localizado.
(Ricardo Brito e Fausto Macedo/AE)
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