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Trabalho puxado e hora extra para cuidar de casa

“Eu tenho uma rotina de trabalho tão intensa que levo 48 horas para poder voltar em casa e cuidar das coisas”, diz a técnica em enfermagem Roselene Roxo, 42. Ela é um exemplo que se enquadra nas estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatíst

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“Eu tenho uma rotina de trabalho tão intensa que levo 48 horas para poder voltar em casa e cuidar das coisas”, diz a técnica em enfermagem Roselene Roxo, 42. Ela é um exemplo que se enquadra nas estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que revela que elas, as mulheres, representam 42% da força de trabalho no país, têm uma intensa jornada de trabalho e ainda encontram tempo para cuidar dos afazeres domésticos, sendo que atualmente elas também são responsáveis por 41% da renda familiar. Entretanto, ainda pesa sobre o bolso delas um salário desigual, em comparação com a mão de obra masculina, situação esta que para Roselene não deve durar muito. “Nós mulheres estamos em busca da igualdade”, considerou.

Pelos números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, as mulheres têm uma jornada de trabalho de aproximadamente 60 horas semanais, sendo que este é dividido entre as tarefas domésticas e as do mercado de trabalho. No caso de Roselene, contar as horas de trabalho é mais complexo um pouco, pois ela tem dupla jornada de trabalho, está fazendo capacitação e ainda tem que cuidar da casa, onde mora de aluguel.

“Durante o dia, eu sou técnica domiciliar – cuidadora de idosos – e à noite vou para o hospital, onde trabalho até nos feriados para folgar no sábado e domingo para eu poder fazer meu curso de capacitação”, relata. Mesmo com dois empregos, ela consegue uma renda mensal de apenas R$ 900 por mês.

Todo este esforço tem um objetivo, que é criar o casal de filhos, os quais não vê com frequência. “Eu não cheguei aonde quero, mas tudo o que eu busco é por eles”, disse. Ela é separada.

Em 2001, as mulheres dedicavam 24 horas e quatro minutos por semana em afazeres domésticos. Em 2011, este tempo caiu para 22 horas e 13 minutos semanais, enquanto que os homens dedicavam somente 10 horas semanais e agora 10 horas e oito minutos. Essas diferenças estão relacionadas à saída da condição de simples dona de casa para outras funções realizadas fora do domicílio.

Questionada se considera o mercado de trabalho injusto, Roselene diz que não, contudo critica a diferença salarial entre mulheres e homens. “Eles sempre ganham mais do que a gente, mas isso ainda vai mudar. O mercado de trabalho tem vaga para quem se qualifica”, ressaltou.

(Diário do Pará)

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