A partir de hoje, dez equipes de técnicos do governo visitarão as principais instalações de transmissão de energia o país para rever todos os procedimentos de segurança. A medida foi adotada depois dos últimos episódios de falta de energia ocorridos em diversas regiões do país.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, todas as ocorrências tiveram como causa falhas no sistema de proteção primário das linhas de transmissão.
Na última quinta-feira (1º), o governo publicou o Protocolo de Avaliação dos Sistemas de Proteção da Rede Básica do Sistema Interligado Nacional (SIN), que estabelece procedimentos, critérios e requisitos a serem adotados na avaliação dos sistemas de proteção, com a intenção de aumentar a segurança e confiabilidade das operações.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) vai disciplinar o processo de avaliação, e o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, definir quais as adequações prioritárias e em que prazo terão de ser executadas. As empresas deverão elaborar um plano de ação para sanar os problemas apontados pelo protocolo.
15 ANOS
Dos 103 mil quilômetros de linhas de transmissão existentes no país atualmente, 63 mil têm mais de 15 anos. Os 40 mil quilômetros restantes foram construídos depois de 1997, segundo dados da Associação Brasileira das Grandes Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (Abrate).
“O país tem linhas de transmissão com mais de 70 anos de operação, mas a idade das linhas não influi muito no desempenho – as linhas novas e as antigas têm aproximadamente o mesmo desempenho”, avalia o diretor executivo da Abrate, Cesar de Barros Pinto.
A idade das linhas de transmissão não é um fator relevante para o desempenho do sistema, diz também o coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nivalde de Castro. “Se você tem um carro velho e o mantém sempre em dia, troca o óleo, ele dura muito. Se não faz nada, ele dura pouco. No caso do setor elétrico, como é uma questão estratégica, o governo olha com muita atenção, e tem critérios muito rigorosos de manutenção.”
Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a expectativa do governo é chegar a 2021 com 150,5 mil quilômetros, um aumento de 46% em relação à rede atual. O investimento previsto para o período, incluindo as instalações já licitadas, deverá atingir cerca de R$ 55,8 bilhões – R$ 36,3 bi em linhas de transmissão e R$ 19,5 bi em subestações.
(Agência Brasil)
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