A Secretaria da Aviação Civil, hoje nas mãos de Wagner Bittencourt, também poderá ser alvo de mudanças. Senadores e deputados alegam que esse ministério tem mais ônus do que bônus, mas, de qualquer forma, a pasta é uma espécie de “plano B” para acomodar o PSD de Kassab.
O PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, nega que o partido queira mais ministérios, além dos dois que já controla - Integração Nacional e Portos. “Se a gente fosse querer, íamos pedir logo uns vinte”, provocou o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), que almoçou na quinta-feira com Dilma.
Um dia antes, Campos também conversou com ela. Em jantar no Palácio da Alvorada, o governador e presidente do PSB jurou fidelidade a Dilma e disse que o projeto de poder do partido é para 2018. Nos bastidores, porém, ele se posiciona para a disputa de 2014.
O PT fechou acordo que garante ao PMDB a presidência da Câmara e do Senado, a partir de fevereiro de 2013. Agora, o deputado Júlio Delgado (PSB-MG) quer se lançar candidato alternativo à sucessão na Câmara, contra o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN). No Senado, o nome apresentado pelo PMDB é o de Renan Calheiros (AL), que em 2007 teve de renunciar à presidência da Casa, no rastro de denúncias de irregularidades.
Embora Campos tenha dito a Dilma que não definiu nada com Delgado, a dúvida em relação à estratégia do governador é constante no Planalto. “Eduardo Campos virou uma espécie de José Dirceu. Parece que está por trás de tudo”, ironizou um ministro, numa referência ao ex-todo-poderoso chefe da Casa Civil, hoje réu no processo do mensalão.
O PSB derrotou o PT em Belo Horizonte, Recife, Fortaleza e Campinas. Conquistou 440 prefeituras e foi o partido que mais cresceu, proporcionalmente, em relação às eleições municipais de 2008, dando um salto de 42%. O PT elegeu 633 prefeitos e o PMDB, 1.025.
“É claro que, após qualquer evento político, é hora de discutir a relação”, admitiu o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT). “Houve estresse com o PMDB na Bahia e o PSB é um partido bastante cobiçado pela oposição, que quer rachar a base aliada. Mas, enquanto eles batem bumbo, nós vamos de berimbau. Tentamos sempre achar o caminho do meio.”
Pelo menos seis ministros do PT são pré-candidatos a governos de Estado, em 2014, mas nenhum deles deve deixar a Esplanada agora.
Na Casa Civil, a tendência é que Gleisi Hoffmann (PT), citada para concorrer à sucessão no Paraná, continue no cargo por mais algum tempo.
(AE)
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