Acusado pelo empresário João Batista Vieira Machado, dono da JJ Logística Empresarial, de ser o distribuidor de maços de dinheiro desviados de iniciativas do Programa Segundo Tempo do Ministério do Esporte, o também empresário e ex-assessor parlamentar José Renato Fernandez Rocha, o Zeca, sacou pelo menos R$ 742 mil em espécie durante seis viagens a Santa Catarina - Estado onde fica a sede do Instituto Contato, entidade que mantinha dois convênios com o governo federal e subcontratava a empresa de Machado.
Os valores constam de cheques da JJ Logística assinados por Fernandez Rocha entre julho e dezembro de 2009 - período em que vigorava o primeiro convênio. A microempresa sediada em Tanguá, região metropolitana do Rio, foi subcontratada pela ONG criada por membros do PCdoB catarinense para fornecer alimentos para iniciativas do Segundo Tempo. As parcerias do Instituto Contato foram posteriormente rescindidas e estão sob investigação.
Cinco das seis viagens de Fernandez Rocha a Santa Catarina nesse período foram pagas pela Câmara dos Deputados. Na época, Fernandez Rocha era secretário parlamentar do deputado federal Dr. Paulo Cesar (PSD-RJ). Os gastos com as passagens constam da prestação de contas da verba de gabinete do parlamentar fluminense.
As cópias dos cheques da JJ Logística assinados por Fernandez Rocha em Santa Catarina foram entregues à reportagem por João Machado, o dono da microempresa. Em entrevista publicada neste domingo, o empresário de Tanguá diz que sua firma havia sido usada para desviar R$ 4,15 milhões do Ministério, repassados pela entidade - quase 90% do total de R$ 4,65 milhões que a JJ Logística havia recebido.
“Vi maços de dinheiro serem distribuídos”, acusou Machado. Ele afirmou também que Fernandez Rocha era o verdadeiro dono da JJ Logística. Machado disse ainda que compareceria nesta segunda ou terça-feira à Polícia Federal para formalizar as acusações.
Os saques dos recursos da conta da JJ Logística ocorriam praticamente no dia seguinte à chegada de Fernandez Rocha a Santa Catarina. No dia 9 de julho de 2009, por exemplo, a Gol Linhas Aéreas emitiu uma passagem Rio-Florianópolis para o assessor parlamentar. No dia seguinte, ele assinava um cheque para sacar R$ 120 mil, colocando como local de procedência a sigla SC (Santa Catarina). No dia 7 de agosto daquele ano, a Câmara pagou outra passagem para Fernandez Rocha ir de novo a Florianópolis. Três dias depois ele sacava mais R$ 120 mil.
As viagens financiadas com a verba de gabinete do deputado Dr. Paulo Cesar e os saques em Santa Catarina se sucedem até novembro daquele ano. O maior valor retirado pelo então assessor parlamentar foi de R$ 151.130,00 em cheque assinado em 10 setembro de 2009 - na Câmara consta uma passagem emitida no nome dele no dia 9 de setembro.
OUTRO LADO
Em nota enviada pela sua assessoria de imprensa, o Instituto Contato limitou-se a informar que nega todas as acusações do empresário João Batista Vieira Machado, dono da JJ Logística, e que ratifica sua idoneidade. A entidade diz estar à disposição dos órgãos de fiscalização para prestar qualquer informação.
Questionado por que um parlamentar do Rio de Janeiro solicitou à Câmara dos Deputados passagens áreas para um assessor viajar a Santa Catarina, o deputado federal Dr. Paulo Cesar (PSD-RJ) argumentou que seus auxiliares costumam viajar para outros Estados para ajudá-lo a dialogar com setores interessados em projetos. Não soube explicar, no entanto, por que mandou José Renato Fernandez Rocha cinco vezes consecutivas a Santa Catarina Fernandez Rocha foi exonerado do gabinete em fevereiro do ano passado. “Precisei da vaga dele”, explicou o deputado. Desde o início da tarde de sexta-feira, a reportagem tenta contato com Fernandez Rocha. Ele chegou a atender a uma chamada, mas disse que só poderia falar mais tarde. Desde então, ele não responde aos recados.
(AE)
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