O Supremo Tribunal Federal (STF) aplicou uma pena de 8 anos e 11 meses de prisão a Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, pelos crimes de formação de quadrilha e corrupção ativa na compra de apoio político de parlamentares para aprovarem propostas de interesse do governo Lula.
Com essa pena, o ex-tesoureiro petista deverá ter o mesmo destino do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, apontado como o chefe da quadrilha do mensalão: vai cumprir a pena de cadeia em regime inicialmente fechado. Com destinos penitenciários semelhantes, a maioria dos ministros considerou que Delúbio atuava sob as ordens de Dirceu.
Para tentar escapar à condenação, o ex-tesoureiro do PT confessou, ao longo do julgamento, pela voz de seu advogado, Arnaldo Malheiros, ter cometido um crime. “Ele operou caixa dois de campanha? Operou. É ilícito? É. Delúbio não nega. Mas ele não corrompeu ninguém”, afirmou o defensor, em agosto. O advogado lembrou até o próprio Delúbio, que em outubro de 2005, disse ao Grupo Estado que o escândalo viraria “piada de salão”.
ESTRATÉGIA
A resposta a estratégia de Delúbio foi derrubada ainda em outubro pelo Supremo, com a condenação de Delúbio pelos dois crimes. Coube à ministra Cármen Lúcia, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o repúdio mais enfático da versão articulada.
“Alguém afirmar que houve ilícito com a tranquilidade que se fez aqui é algo inédito em minha vida profissional. É como se o ilícito fosse uma coisa normal e pudesse ser assumido com tranquilidade. É como dizer ‘ora, brasileiro, o ilícito é normal’. A ilegalidade não é normal. Num estado de direito, o ilícito há de ser processado e punido. Isso me causou profundo desconforto”.
No caso da corrupção ativa, o ex-tesoureiro petista foi considerado culpado por todos os ministros de ter participado ativamente do esquema de compra de apoio político do PP, do PTB, do PL (atual PR) e do PMDB entre os anos de 2003 e 2005. Quanto à formação de quadrilha, recebeu seis votos pela condenação e quatro pela absolvição.
(AE)
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