Integrantes do governo pediram a dirigentes do PT que evitem ataques diretos a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nos atos de desagravo aos réus petistas no processo do mensalão. Embora a presidente Dilma Rousseff mantenha distância regulamentar do escândalo, há no Palácio do Planalto a preocupação com o que está por vir e não se recomenda a revanche política.
Em conversas reservadas, ministros do PT dizem que “o julgamento ainda não terminou” e lembram a possibilidade de recursos à sentença. Os advogados do ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, do ex-presidente do PT José Genoino e do ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares já anunciaram que tentarão diminuir as penas impostas pelo tribunal.
Apesar da cautela do Planalto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva incentivou as manifestações, antes de viajar para a África e a Índia. Lula disse a Dirceu e a Genoino que é hora de os movimentos sociais mostrarem apoio a eles e deu sinal verde para os debates públicos sobre o julgamento. Dirceu, por exemplo, já compareceu a reuniões a portas fechadas em Salvador e em Brasília e agora participará de encontros em São Paulo e no Rio.
Depois da plenária em Osasco, organizada pelo deputado João Paulo Cunha (PT-SP) - ex-presidente da Câmara, condenado pelo STF por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro -, correntes da extrema esquerda petista promoveram no sábado, em São Paulo, o “Ato em Defesa do PT”. Todos os réus do partido no julgamento do mensalão foram convidados.. “Nós achamos que não há mártires nessa história e não estamos fazendo um desagravo. Mas não podemos aceitar o ataque ao PT, alvo dessa sentença que repudiamos”, disse Markus Sokol, dirigente da tendência O Trabalho.
No panfleto de convocação para o ato, com apoio da CUT, os signatários afirmam que os direitos democráticos foram “agredidos” pelo STF num “julgamento de exceção”.
Na lista de críticas ao tribunal, os manifestantes também afirmam que o STF é “o mesmo (...) que utiliza a Lei da Anistia para proteger os crimes da ditadura militar”.
(AE)
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