Na tentativa de aprovar o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira, o deputado Odair Cunha (PT-MG) recuou e apresentou ontem formalmente à bancada governista proposta para retirar do texto o pedido de indiciamento de cinco jornalistas, entre eles, Policarpo Júnior, editor-chefe da revista Veja e a sugestão para que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, seja investigado pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Cunha classificou esses dois itens de “secundários” e “acessórios” e, por isso, passíveis de saírem do relatório.
“Se os partidos se comprometeram a aprovar o essencial, eu estou disposto a retirar o secundário”, afirmou o relator. “O encaminhamento do procurador-geral para o Conselho e o indiciamento dos jornalistas é irrelevante; não é uma questão central. Se o procurador e os jornalistas são elementos que criam obstáculos à aprovação do relatório, abro mão deles”, emendou.
No lugar de pedir o indiciamento dos jornalistas, Cunha deverá solicitar que a Polícia Federal aprofunde as investigações sobre as relações deles com o esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. O relator se reuniu com os integrantes da bancada aliada que integram a CPI e apresentou a proposta de retirada dos itens considerados polêmicos. O PMDB não aceita nem o indiciamento dos jornalistas nem o encaminhamento de Gurgel para o Conselho.
Com mais de cinco mil páginas, o relatório apresentado por Cunha foi mal recebido pelos integrantes da CPI. Eles ameaçam derrubar todo o texto. Um dos pontos polêmicos foi o pedido de indiciamento de Fernando Cavendish, dono da empreiteira Delta Construções. Os aliados são contra essa medida mas, por enquanto, nenhum partido se expôs publicamente para pedir a retirada do indiciamento do empresário.
Hoje, Cunha pretende ler o resumo de 300 páginas com as conclusões da CPI. Ele propôs indiciamento do governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, em seis crimes. O PSDB acusou o relator de ser parcial por deixar de fora o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiróz (PT). “A situação do Marconi é idêntica a do Agnelo”, reclamou o deputado Domingos Sávio (PSDB-MG), um dos integrantes da CPI. “Não foi comprovado que o Agnelo sucumbiu aos interesses da organização criminosa do Cachoeira. Já no caso do Perillo há encontros dele com o contraventor e até possível entrega de dinheiro”, rebateu Cunha.
(AE)
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