A presidente Dilma Rousseff classificou como “equívoco” a avaliação de que a renovação das concessões tirou receita das empresas do setor elétrico. Sem citar nomes, voltou a alfinetar as estatais dos Estados controlados pelo PSDB que não aderiram ao pacote.
Segundo ela, o objetivo do governo de baixar a conta de luz contou com “não colaboradores”, mas o Tesouro vai bancar a diferença e garantir um desconto médio de 20% para consumidores e indústrias.
A presidente aproveitou a solenidade do anúncio de medidas para portos para responder às críticas da oposição. “Nós não estamos tirando de ninguém. É um equívoco. Nós estamos devolvendo. Até tributo nós estamos devolvendo”, afirmou, em referência aos encargos setoriais que não serão mais cobrados nas contas a partir de 2013.
“Nós fizemos uma proposta de reduzir o preço da energia elétrica. Essa proposta não foi feita com o chapéu alheio. O chapéu que nós estamos usando é de todos os brasileiros, porque é deles a energia elétrica. Eles pagaram por isso”, disse.
Foi um recado direto ao governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), que usou essa expressão para explicar por que a Copel, empresa controlada pelo Estado, não aceitou prorrogar os contratos de suas usinas.
Dilma não informou quanto o Tesouro terá de aportar para que o custo da energia seja reduzido em 20%. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que ainda não está definido de que forma isso será feito. Mas a presidente já adiantou que o esforço não será “trivial”. Com a adesão das concessionárias de geração e transmissão, a União conseguiu garantir queda de 16,7%.
“Nós tivemos não colaboradores nessa missão. E quando você tem não colaboradores, os não colaboradores deixam no seu rastro uma falta de recursos. Essa falta de recursos vai ser bancada pelo governo federal.”
Foi mais uma resposta à oposição, dessa vez ao senador Aécio Neves (PSDB-MG). Nome mais cotado do partido para as eleições presidenciais de 2014, o senador mineiro disse que Dilma faria “estelionato eleitoral” se não conseguisse manter a promessa do desconto de 20%.
A presidente voltou a defender o governo e disse que a renovação das concessões sem redução de tarifas e receitas não seria correta. “O Brasil tem hora para tudo. A hora de prorrogar passou. Agora é a hora de devolver”, afirmou.
(Diário do Pará)
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