Uma frase curta é a única declaração feita até o momento pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o escândalo envolvendo a ex-chefe de gabinete do escritório da Presidência da República em São Paulo Rosemary Noronha: “Não, não fiquei surpreso”, disse ao ser questionado em Berlim se “havia ficado surpreso” com a Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, que apontou a existência de grupo que vendia pareceres de órgãos públicos a empresas privadas.
Lula deixava o Congresso Internacional do Sindicato dos Metalúrgicos da Alemanha, quando foi questionado por jornalistas sobre o assunto. Após a resposta, preferiu não dar sequência à breve conversa. O ex-presidente foi responsável pela nomeação de Rose, como a ex-assessora é conhecida. Ela é suspeita de tráfico de influência por causa de suas relações com Paulo Vieira, ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), apontado pela Polícia Federal como chefe do grupo que vendia os pareceres.
Segundo as investigações, Rose recebeu benefícios, como viagens em cruzeiros, ao usar o cargo em São Paulo a fim de oferecer facilidades para a quadrilha. A ex-assessora deixou o cargo após a deflagração da operação da Polícia Federal, há duas semanas.
Em Berlim, Lula participou como palestrante do congresso internacional do Sindicato dos Metalúrgicos da Alemanha e foi o convidado da fundação política alemã Friedrich Ebert para um colóquio sobre o papel do Brasil na nova ordem mundial, ao lado do líder da bancada social-democrata no Parlamento alemão, o deputado Frank-Walter Steinmeier (SPD), opositor ao partido da chanceler Angela Merkel (CDU). No domingo, o ex-presidente segue para Doha, no Catar.
Em ambos os eventos, Lula apontou o incentivo ao comércio como uma possível solução para a crise dos países da zona do euro. “Precisamos aumentar o consumo e o comércio para aumentar o emprego e estamos fazendo exatamente o contrário”.
(Diário do Pará)
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