Menos de 24 horas depois de a presidente Dilma Rousseff dizer, em Paris, que são “lamentáveis” as declarações contida no depoimento de Marcos Valério à Procuradoria-Geral da República, ministros petistas receberam ordens do Planalto para iniciar uma ação coordenada em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O primeiro a se manifestar foi o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência), que aproveitou um café da manhã com jornalistas para dizer que Lula não compactua com qualquer tipo de malfeito.
DA JUSTIÇA
Logo em seguida, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, desqualificou o depoimento dado ao Ministério Público Federal pelo publicitário, que acusou o ex-presidente Lula de ter dado “ok” a operações bancárias para financiamento da compra de apoio político no Congresso e de ter usado dinheiro do mensalão para custear despesas pessoais, como revelou o jornal O Estado de S. Paulo. “Do ponto de vista jurídico, isoladamente, esse depoimento não tem nenhum significado”, afirmou o ministro.
Segundo Cardozo, as revelações de Valério foram feitas “sem prova alguma”, por alguém numa situação de desespero, após ser condenado a 40 anos de prisão no julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF). “É uma peça produzida por uma pessoa processada e condenada a muitos anos de prisão. Foi feita exclusivamente na tentativa ou de tumultuar o processo, negociar a redução de sua pena”, observou.
Cardozo deu as declarações após participar da solenidade de lançamento da Escola Nacional de Mediação e Conciliação, criada pelo governo federal em cooperação com o Poder Judiciário, para reduzir o volume de demandas que abarrota a Justiça e facilitar a solução negociada de conflitos entre as partes. O ministro acusou a oposição de tirar proveito político da situação. “É natural que o debate se coloque por setores da oposição, que até agora não tem um discurso muito claro em relação a propostas para o País”, disse. “Ao se utilizar disso, (a oposição) tenta exercitar sua retórica política, nada mais”, observou.
Cardozo disse ainda que não vê razão para a Polícia Federal, de ofício, abrir inquérito com base nas declarações de Valério ao Ministério Público. “Foi um depoimento dado à Procuradoria-Geral da República. O que vai ser feito em relação a ele, só o Ministério Público, no momento apropriado, dirá”, observou. “Só então será definido se é o caso de abrir um inquérito, ou se será feito o arquivamento”, acrescentou.
Na terça-feira e ontem, o jornal O Estado de S. Paulo revelou o teor do depoimento de três horas e meia prestado por Valério à subprocuradora da República Cláudia Sampaio e à procuradora da República Raquel Branquinho. O operador do mensalão afirmou que dinheiro do esquema foi usado para pagar parlamentares do Congresso Nacional entre 2003 e 2005 e também serviu para bancar “despesas pessoais” do ex-presidente Lula. O dinheiro foi depositado, disse Valério, na conta de uma empresa de Freud Godoy, que foi assessor pessoal de Lula.
Outro ministro que também fez a defesa de Lula foi Paulo Bernardo (Comunicações). Para ele, tudo levar a crer que Marcos Valério pode estar desesperado.
(Diário do Pará)
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