A presidente Dilma Rousseff afirmou a catadores de materiais e moradores de rua, durante o tradicional evento de fim de ano que as duas classes promovem, que "a impunidade é um incentivo à repetição" e "ao crime". Ela se referia ao esforço que o governo federal tem de fazer para combater a violência contra as pessoas em situação de rua em todo o país. A declaração foi dada dias após o Supremo Tribunal Federal concluir o julgamento do mensalão.
"Não podemos descuidar da questão da impunidade. A ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos) tem uma grande preocupação com o esclarecimento dos crimes e a redução da impunidade. A impunidade é um incentivo à repetição", afirmou a presidente. "A pessoa que ficou impune acha que não vai acontecer nada se cometer outro tipo de violência. Se ficar impune é um incentivo para o crime e para toda essa indignidade."
A presidente declarou que "é muito importante mobilizar todo o governo na questão da impunidade", mas sustentou que "só tem um jeito de fato de combatê-la": "É mobilizar toda a sociedade", disse Dilma, citando as igrejas e afirmando que o governo fará a sua parte dialogando com Estados e municípios para que haja "uma redução expressiva na violência" no Brasil.
A presidente assistiu a um vídeo produzido pelos moradores que mostrava agressões contra pessoas que estavam em situação de rua. Uma cena chamou a atenção de Dilma: a de um policial jogando spray de pimenta nos olhos de um morador de rua que estava dormindo e se recusava a deixar o local onde estava. A presidente afirmou que os vídeos mostrados eram "muito fortes" "Não é concebível que se jogue spray de pimenta no olho de um catador ou morador de rua. É muito importante que a sociedade assuma também esse repúdio."
Dilma disse que representantes dos catadores lhe pediram que, em nome do governo federal, manifestasse à população brasileira que "os catadores são integrantes dignos da nossa nacionalidade". Em discurso, Eduardo Ferreira, representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, afirmara: "Queremos ser reconhecidos como catadores profissionais e cidadãos, não como mendigos e maloqueiros".
(Agência Estado)
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