O Peru proibiu ontem a compra de carne bovina brasileira por 90 dias, em razão da descoberta de um animal contaminado com a doença da vaca louca, em 2010, no Paraná. Também foi confirmada a suspensão da importação pelo Líbano, mas apenas restrita a produtos vindos do Paraná, e de Taiwan, que anunciou a proibição no fim de dezembro. Com os novos embargos já são 11 os países que determinaram algum tipo de restrição à carne brasileira, sendo o Peru o primeiro da América do Sul.
Apesar da proximidade, o país não é um grande importador. Em 2012, comprou do Brasil US$ 15,9 milhões em carne bovina, o que representou 0,08% das exportações brasileiras. Já o Líbano importa o equivalente a 1,5% da carne vendida ao exterior. O valor é significativo, mas o Ministério da Agricultura ainda não conseguiu determinar quanto disso sai do Paraná.
A decisão desses dois países, mesmo que limitadas, mostra que ainda não se encerrou o efeito dominó temido pelo Brasil. Apesar de, até agora, os maiores importadores ainda não terem aderido ao embargo, a carne brasileira continua sob suspeita, mesmo depois da rodada de explicações dadas por técnicos do Ministério da Agricultura e por diplomatas brasileiros na Organização Mundial do Comércio (OMC) e em encontros com os grandes compradores, aumentando as chances de o governo fazer reclamação formal à OMC.
APELO À OMC
A ministra interina do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, reafirmou ontem que o governo já estuda qual o melhor instrumento para questionar as barreiras No fim de dezembro, o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Ênio Marques, afirmou que o governo esperaria até março antes de apelar para a OMC.
O Itamaraty trabalha com a intenção de iniciar as chamadas consultas na OMC com os países que adotaram o embargo, um estágio anterior à abertura de um painel, uma queixa formal à organização.
( Diário do Pará)
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