O Palácio do Planalto procura se manter distante da disputa pelas presidências da Câmara e do Senado, com o discurso que as denúncias contra os candidatos Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e Renan Calheiros (PMDB-AL) não preocupam o governo e que o apoio aos dois peemedebistas está selado.
A determinação da presidente Dilma Rousseff, a exemplo do que aconteceu durante o julgamento do mensalão, pelo Supremo Tribunal Federal, é de que todos os ministros fiquem longe de polêmicas, deixando claro de que há uma “separação de poderes” e que o Executivo não interfere no Legislativo.
Na prática, o próprio Planalto sabe que isso é difícil de ser posto em prática. Mas a ordem é que os ministros não se exponham. Dilma não quer ver, por exemplo, o ministro da Integração, Fernando Bezerra, apoiando o candidato dissidente da Câmara pelo PSB, Júlio Delgado, ou o ministro do Turismo, Gastão Vieira, saindo em campanha por Henrique Alves.
EFEITO SEVERINO
O governo sabe que eleição para a presidência da Câmara pode ser sempre uma surpresa. A lição da eleição de Severino Cavalcanti (PP), em fevereiro de 2005, quando um racha no PT resultou na maior derrota do governo Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso, sempre domina as conversas e os temores de assessores palacianos Ainda mais quando se sabe que parte do tiroteio a que Henrique Alves está sendo submetido pode estar partindo também de “fogo amigo”, ou seja, do próprio PT e de alas do PMDB.
Os problemas da presidente Dilma no Congresso, porém, não se resumem às presidências das duas Casas. O governo está muito preocupado com as lideranças dos partidos aliados na Câmara e as dificuldades com as próprias lideranças. O cenário é considerado “péssimo”. Apesar de a presidente Dilma Rousseff ter resistido ao nome de Eduardo Cunha, que disputa a liderança do PMDB, hoje já não há mais uma tentativa de impedir a eleição do deputado fluminense.
CASO PIMENTEL
O governo precisa ainda encontrar urgentemente um substituto para José Pimentel (PT-CE) na liderança do governo no Congresso, por ser considerado “muito devagar” e “sem qualquer poder de articulação”.
O cenário dramático desenhado em relação à inércia dele é que se forem colocadas duas tartarugas para Pimentel tomar conta, uma foge e a outra engravida.
Candidato do PSB busca apoio no Nordeste
O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, teve um encontro reservado com o deputado federal Júlio Delgado (PSB-MG), candidato à presidência da Câmara por indicação da bancada socialista. Também estiveram presentes diversos parlamentares socialistas, entre os quais Sandra Rosendo (RN), Gonzaga Patriota (PE), Fernando Bezerra Coelho Filho (PE) e Valterni Pereira (MT).
Apesar de ter sido recebido pelo presidente da legenda, Delgado não obteve o apoio formal do governador. “Eu disse a ele que não vou interferir no processo. Já fui deputado, sei que esse tipo de interferência não agrada os parlamentares”, afirmou Eduardo Campos.
(Diário do Pará)
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