Os partidos de oposição acusaram ontem a presidente Dilma Rousseff de usar o pronunciamento em rede nacional para anunciar a redução do valor das tarifas de energia como palanque de sua campanha eleitoral à reeleição. A reação mais forte partiu do PSDB que, em nota, afirmou que o governo do PT “acaba de ultrapassar um limite perigoso para a sobrevivência da jovem democracia brasileira”.
O PT contra-atacou e, também em nota, afirmou que os oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso deixaram como “legado a façanha de quebrar o País três vezes e provocar um apagão de mais de um ano, levando o Brasil de volta à era das lamparinas”.
Na nota, o presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), afirmou que no governo do PT “tudo é propaganda”, “partidarizado”. “Nada aponta para o equacionamento verdadeiro dos problemas do País ou para uma solução efetiva”, disse o tucano. “Em vez de assumir suas responsabilidades de gestora, fazendo o governo produzir, o que se vê é o lançamento prematuro de uma campanha à reeleição, às custas do uso da máquina federal e das prerrogativas do cargo presidencial”, criticou.
“MISTURA”
O tucano disse que o País “assistiu a mais agressiva utilização do poder público em favor de uma candidatura e de um partido político: o pronunciamento da presidente Dilma Rousseff, em rede nacional de rádio e TV, sob o pretexto de anunciar, mais uma vez, a redução do valor das contas de luz, já prometida em rede nacional há quatro meses e alardeada em milionária campanha televisiva paga pelos contribuintes”.
Provável candidato do PSDB à Presidência da República em 2014, o senador Aécio Neves (MG) chamou de “mistura entre o público e o particular” o pronunciamento da presidente Dilma. “O Brasil assistiu ontem a mais um exemplo inaceitável de como o PT usa, sem constrangimentos, estruturas de Estado para alcançar seus objetivos políticos. Sem razão que justificasse a formação de uma rede nacional obrigatória, vimos a apropriação de um instrumento de Estado para fins político-partidários. Falou à Nação não a presidente da República, mas um partido político, evidenciando, como nunca antes neste país, a mistura entre o público e o particular; o institucional e o partidário”, criticou Aécio.
‘Os tucanos entraram mais uma vez num beco sem saída’
Ao reagir aos tucanos, o líder do PT, José Guimarães (CE), acusou os governos estaduais do PSDB “de rejeitaram as condições do acordo proposto pelo governo para redução da tarifa as companhias energéticas Cesp (São Paulo), Cemig (Minas Gerais), Copel (Paraná)”. “Os tucanos mais uma vez entraram num beco sem saída. Resolveram assumir uma posição dura contra a redução das tarifas de energia elétrica, talvez supondo que conseguiriam derrotar a proposta do governo”, afirmou.
Para o vice-líder do DEM na Câmara, deputado Ronaldo Caiado (GO), a presidente Dilma teve um comportamento “inadmissível” ao usar o pronunciamento para antecipar sua campanha eleitoral à reeleição.
(Agência Estado)
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