Favorito para presidir novamente o Senado a partir de sexta-feira, o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), trabalhou nos bastidores da Casa para demover resistências de colegas a fim de garantir a recondução de Roberto Gurgel ao comando da Procuradoria-Geral da República (PGR), em meados de 2011. No sábado passado, um dia após ter sido denunciado por Gurgel por crimes que quase o levaram à cassação, quando presidia o Senado em 2007, o líder peemedebista colocou sob suspeita a acusação criminal do procurador-geral, classificando-a de “nitidamente política” por ter sido feita às vésperas da eleição.
Na época, e por motivos distintos, a bancada do PT e o então líder do Democratas, Demóstenes Torres (GO), demonstravam as maiores reservas a dar mais dois anos de mandato a Roberto Gurgel. Os petistas questionavam o chefe do Ministério Público Federal por ele ter pedido àquela altura a condenação de 36 réus do mensalão, entre os quais a antiga cúpula do partido. Demóstenes, ao menos publicamente, criticava a atuação de Gurgel por não ter pedido ao STF a abertura de um inquérito contra o então ministro da Casa Civil, Antônio Palocci, por suspeita de tráfico de influência e enriquecimento ilícito.
A presidente Dilma Rousseff encaminhou ao Senado a mensagem para reconduzir Gurgel em 7 de julho de 2011, mesmo dia em que ele apresentou as alegações finais do mensalão ao Supremo. Dois senadores, um da oposição e outro da base aliada, e uma fonte ligada ao procurador-geral disseram à Agência Estado que Demóstenes buscou apoios para tentar derrotar a indicação. Publicamente, a justificativa era o caso Palocci. Em privado, segundo relatos de três fontes, o senador do DEM suspeitava que estava sendo investigado por Gurgel.
Em um encontro às vésperas da sabatina do chefe do Ministério Público Federal, Demóstenes recusou-se a ir ao gabinete do senador Pedro Taques (PDT-MT) para se encontrar com Gurgel. O senador do DEM alegou aos presentes que não iria se reunir com alguém que ele suspeitava que o investigava. No dia 11 de julho, o líder do Democratas foi um dos responsáveis pelo pedido de vista da indicação de Gurgel na CCJ, alegando a necessidade de cumprir o rito segundo o qual não se votava o processo no mesmo dia da discussão do sabatinado com os senadores. Dessa forma, o Gurgel teve de ficar alguns dias fora do cargo porque seu mandato expirou no dia 22 daquele mês.
(Agência Estado)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar